Químicos divergem sobre álcool na gasolina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
O aumento da mistura de álcool anidro à gasolina, que deve passar de 20% para 25%, tem dividido opiniões. O professor do departamento de química da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Olivio Fernandes Galão, pontua que a medida pode pesar no bolso do consumidor.
Segundo ele, o álcool etílico libera menos energia quando queima - cerca de 6.400 por grama - contra 11.500 por grama da gasolina. O resultado, então, é que o consumidor vai gastar mais combustível se a medida for aplicada. Atualmente, conforme o professor, a gasolina com 20% de álcool libera cerca de 7.837,6 calorias por grama quando queima. ''Passando para 25%, a mistura irá liberar 7.663,7 calorias por grama. Quer dizer, iremos pagar um mesmo preço por menos energia. Isto é honesto?'', questionou Galão.
Já o professor de engenharia química da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Yamamoto, ressaltou que a diminuição de queima de energia é muito pequena, não deve causar tanto impacto no bolso do consumidor e pode ser compensada com uma boa regulagem no motor. ''Nem todos os motoristas mantêm o carro regulado, e isso é fundamental'', destacou Yamamoto, também coordenador do departamento que mede a qualidade de combustível no Paraná, laboratório ligado à Federal.
O professor frisou ainda que o álcool, por ser um combustível renovável, tem um impacto ambiental menos agressivo. Yamamoto destacou ainda que a porcentagem de 25% de acréscimo de álcool anidro na gasolina está dentro dos limites técnicos.


