Químico desenvolve técnica que reduz perdas de batata
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sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Técnica desenvolvida pelo engenheiro químico Alejandro Salazar Guerra pode ajudar a reduzir as perdas de batata entre a colheita e a comercialização. Estima-se que anualmente são deseperdiçadas no Brasil cerca de 900 mil toneladas do tubérculo, o que representa perda entre 30% e 33% do total cultivado. O processamento da batata na origem, ou seja, pelo próprio produtor, a um custo relativamente baixo, é a alternativa defendida por Guerra em sua dissertação de mestrado.
O processamento combinado de osmose e secagem da batata, na teoria, pode parecer complicado, diz Guerra, mas, na prática, é bastante simples. Normalmente, depois de colhida, o produto é lavado, passa por processo de secagem e é estocado. Isso para a comercialização in natura. É na estocagem que aparecem problemas com fungo, por causa da umidade. Não estando bem protegida da luz, a batata acaba brotando ou ficando esverdeada, o que também resulta em perda.
Na técnica de processamento desenvolvida por Guerra, a batata colhida é lavada, descascada, cortada em palito ou rodelas, e imersa em uma solução de água e açúcar ou sorbitol (açúcar de menor teor adoçante). Depois de uma hora na solução, o tubérculo vai para uma estufa para a secagem. Em seguida, é embalado em sacos plásticos, e pode ser guardado até seis meses antes de ser consumida, dispensando refrigeração.
Segundo Guerra, essa é uma das vantagens de sua técnica e que reduz os custos. No processamento convencional, em que a batata é pré-frita e congelada, é necessário toda uma cadeia de frios, encarecendo o custo por conta do grande consumo de energia e da necessidade de câmaras frigoríficas. Talvez seja essa a razão para o Brasil processar apenas 5% da produção total de batatas. Em países europeus, o processamento não chega a 20%.
Guerra afirma que a análise sensorial de paladar ou textura não fez parte de sua pesquisa, mas garante que a solução açucarada não altera o sabor da batata. Para consumir, basta reidratá-las, colocando-as em água. A batata pode então ser frita ou cozida, normalmente.
''Futuras pesquisas podem introduzir outros componentes como vitamina C e sais minerais, tornando a batata mais nutritiva, já que ela é basicamente constituída de amido'', observou Guerra. Os nutrientes seriam adicionados na mesma solução de água e açúcar.
Os testes do engenheiro químico foram realizados em laboratório, mas ele calcula que o investimento na montagem de uma estrutura para desenvolver o processamento de osmose e secagem de uma tonelada de batata por dia fique entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
O Paraná, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), vai plantar 19.550 hectares de batata nesta safra das águas. Cerca de 56% das lavouras já estão plantadas. Estima-se uma produção de 364,1 mil toneladas. Na safra da seca, foram colhidas 405,9 mil toneladas. A Região Metropolitana de Curitiba concentra mais da metade das lavouras de batata do Estado.


