Questão da soja preocupa mercado algodoeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de junho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O embargo dos chineses para conter importações de soja e tentar forçar uma baixa nos preços internacionais preocupa o setor de algodão. O assunto foi tema de conversas na Bolsa de Nova York esta semana.
Os traders americanos temem que a baixa dos preços internacionais este ano estimule importadores da China a recusar cargas sob qualquer motivo, tal como estão fazendo com a soja brasileira, e com isso ganhar tempo para renegociar contratos antecipados a preços bem superiores aos atuais. O contrato de julho na Nybot acumula queda de 32,3% e os vencimentos de outubro e dezembro já perderam 20% do seu valor desde janeiro.
Fontes do setor exportador do Brasil dizem que a preocupação existe, mas ainda não houve nenhum sinal de que possa se concretizar. ''A indústria têxtil nacional também já rompeu contratos antecipados quando os preços caíram muito entre a contratação e a entrega do produto. E os produtores também já romperam quando a oscilação foi inversa'', disse um exportador.
O risco de recusa de cargas de algodão pela China afetaria mais os Estados Unidos, maior exportador mundial, que negocia grande volume com a ChinaTex, estatal que iniciou o episódio de recusa da soja brasileira. ''O Brasil vende mais diretamente a indústrias, não via governo'', explica fonte do setor.
Das 450 mil toneladas que a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) prevê embarcar em 2004, cerca de 100 mil seriam para a China. Metade das exportações brasileiras vão para o Extremo Oriente; a China representa em torno de 40% deste mercado.


