Xangai - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou ontem, durante discurso no encerramento do seminário ''Brasil-China: Uma Parceria de Sucesso'', aqueles que torcem contra a aliança estratégica que o Brasil faz com a China, a partir da missão que teve início no último dia 23 de maio e termina hoje com um encontro com os empresários. As informações são da Agência Brasil.
''Certamente teremos algumas pessoas no mundo torcendo para que essa aliança não dê certo'', disse Lula, lembrando que somando as populações dos dois países e mais milhões de pessoas que vivem no terceiro mundo, ''os que estão torcendo a favor são em número maior do que aqueles que torcem contra''.
Aos que interpretaram na sua fala um recado aos Estados Unidos, o presidente disse, mais tarde, em entrevista coletiva, que não se tratava especificamente de um país. ''Tem muita gente disputando o mercado chinês. Tem muita gente disputando o mercado brasileiro. Se alguém descobre que você pode vender um bilhão a mais para um país ou comprar um bilhão a mais, as pessoas dizem: poderia ser meu'', declarou.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou ontem no seminário que ''o Brasil exporta apenas 441 produtos para a China, contra 1970 para os Estados Unidos e 1840 para a Europa. A pauta chinesa para o Brasil ainda é igualmente pouco diversificada''.
Lula afirmou que o pacto que vem fazendo com países em desenvolvimento não interfere com as relações com os Estados Unidos e com a União Européia. ''Nós temos clareza da importância dos Estados Unidos na relação com o Brasil. Tenho dado demonstrações de que nós temos consciência da importância dos Estados Unidos na relação conosco e queremos aperfeiçoar essa relação. Mas o país precisa se diversificar para conseguir ampliar o volume das exportações.''
Como os Estados Unidos ocupam 26% de todo o comércio exterior e a União Européia outros 26% fica difícil incrementar a pauta. ''Nesta questão comercial não fazemos distinção. Queremos vender e comprar o máximo possível de todos os países do mundo'', disse o presidente, anunciando que quando for aos Estados Unidos, no dia 24 de junho, seguirá a mesma estratégia para obter o sucesso da viagem à China. ''Vou tentar mostrar aos americanos que estamos melhores do que já estivemos em qualquer outro momento para receber os investimentos americanos no Brasil''.
Lula afirmou que o governo trabalha para estreitar laços comerciais e políticos com os países do Mercosul, com os países da América do sul e com os países em desenvolvimento de outros continentes.
A comitiva presidencial à China contou com quase 500 empresários brasileiros, além de seis ministros, governadores e parlamentares. O presidente embarca hoje para Guadalajara (México), depois de um café da manhã com empresários.

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