Queremos separar o joio do trigo
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Londrina é a cidade do Paraná com maior registro de irregularidades no comércio de combustíveis. A afirmação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese. Embora seja impactante, a frase não soa estranha aos consumidores locais que, nos últimos anos, se acostumaram com notícias de prisões de proprietários de postos acusados de adulteração de combustíveis, sonegação fiscal, cartel e formação de quadrilha. Fatos como este acabaram atingindo todo o setor que, para mudar este cenário, lançou ontem a campanha ''Consumidor Consciente''.
''Queremos separar o joio do trigo. Queremos separar os empresários de bem de alguns poucos que lesam consumidores e enriquecem ilicitamente. A campanha é uma tentativa de recuperação da credibilidade do setor'', afirmou Fregonese. Tanto que a iniciativa da campanha partiu de empresários locais e somente no próximo mês será divulgada no restante do Estado. A partir de hoje consumidores que abastecerem em um dos 48 postos da cidade, filiados ao sindicato, receberão um folder explicativo com informações sobre o setor.
''Esperamos que esta campanha seja uma arma de defesa dos direitos do consumidor. Se eles não tiverem esta consciência aí serão entregues à própria sorte'', disse o presidente do Sindicombustíveis. A partir da campanha, o consumidor ficará informado, por exemplo, sobre controle e testes de qualidade, fraudes mais comuns, consequências da adulteração para o motor e formação de preços. ''Londrina tem 116 postos e cerca de 30% está contaminado'', afirmou. Embora saiba quem são os maus empresários, Fregonese lembrou que o sindicato não tem poder de polícia.
Neste caso, a saída são as denúncias que, constantemente, são feitas à Agência Nacional do Petróleo, Receita Estadual e Polícia Civil. ''Mas falta fiscalização que, geralmente, não são atendidas por falta de efetivo e até conivência de algumas autoridades. Além disso, não se pode fazer acusações até que todas as ações judiciais estejam julgadas'', comentou o presidente da entidade. Ele ainda disse que em Londrina ''há milagres, não realizados por santos''. ''Há excesso de fraudes. Hoje o preço do álcool no distribuidor é R$ 1,19 e aqui os postos estão vendendo por R$ 1,13'', comentou.
Segundo Durval Garcia Júnior, da diretoria do Sindicombustíveis de Londrina, os preços atualmente praticados não cobrem os custos operacionais dos postos. ''O consumidor tem que analisar se a 'lei de Gerson' (levar vantagem em tudo) compensa. O combustível pode estar mais barato mas se não há recolhimento de impostos, ele não terá acesso a benefícios e será lesado de alguma forma'', disse. Ele acrescentou que ontem o preço do álcool subiu R$ 0,04 na usina e que os postos não repassaram os custos. ''Os postos estão usando as lojas de conveniência para sobreviver'', observou.
Entre os consumidores alguns já procuram adotar medidas para fugir das fraudes. ''Sempre abasteço no mesmo posto, até mais por hábito'', disse o empresário Sérgio Campinha. Ele diz que independente do preço o combustível tem que ter qualidade. Já o produtor rural José Agnado Bitiati, de Santa Fé (47 km ao norte de Maringá), afirma se preocupar muito com a qualidade do combustível e que, por ser proprietário rural, costuma comprar combustível diretamente na distribuidora.


