Quem vive do mínimo faz milagre
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terça-feira, 01 de abril de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Fazer um milagre. Essa é a resposta da maioria das pessoas, quando perguntadas sobre o que vão fazer com o aumento do salário mínimo de R$ 200,00 para R$ 240. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, anteontem, o reajuste correspondente a 20% e não satisfez as expectativas da população.
A empregada doméstica Rosa Eliana Guimarães, 44 anos, foi taxativa: ''Só Deus pra me ajudar todos os meses''. Rosa ganha dois salários mínimos por mês e mora com um filho de 16 anos. Com o dinheiro ela paga as despesas da casa, como água e luz, faz o supermercado e ajuda na educação do menino. ''A única coisa que eu vou poder fazer com o aumento do salário é melhorar a alimentação lá em casa'', confessou.
Rosa ainda tem sorte. Muitas outras pessoas ganham apenas um salário mínimo, como é o caso da pensionista Santina Machado Gonçales, 64. Ela recebe a pensão do marido no valor de R$ 200,00 e usa o dinheiro para comprar remédios, pagar água e luz e ainda tem que fazer compras. ''O dinheiro não dá pra nada, a gente tem que fazer milagre; quando vê o dinheiro já foi embora'', lamenta a aposentada. Ela conta que recebe a ajuda de uma filha, pois do contrário não tem idéia de como faria para sobreviver.
Com os R$ 40,00 a mais que vai ganhar com aumento da pensão, dona Santina pretende terminar de pagar o IPTU e comprar um pouco mais de comida. O aposentado José Beregeno, 77, comentou que o salário mínimo não dá para fazer nada. ''O aumento deveria ser de uns 200%, para as pessoas viverem com um pouco mais de dignidade'', disse. No Brasil, existiam até o final de 2002 cerca de 13,5 milhões de aposentados e pensionistas do INSS recebendo um salário mínimo.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômico (Dieese), em Curitiba, o poder de compra dos assalariados vem diminuindo consideravelmente nos últimos meses. O economista do departamento, Sandro Silva, informou que de março de 2002 a fevereiro de 2003, a cesta básica subiu 27,1%. Em abril de 2002 a cesta para uma pessoa custava R$ 124,00 e comprometia 62,47% do salário. Na última pesquisa, em fevereiro deste ano, com o salário ainda em R$ 200,00, a cesta básica passou a custar R$ 158,24 e comprometer então, 79,12% do salário mínimo. ''É uma desvalorização muito grande. O salário sobe uma vez por ano e os produtos aumentam de preço quase que diariamente'', comentou o economista.


