Curitiba - A demora na divulgação dos resultados dos exames de febre aftosa está gerando intranquilidade entre os criadores. Na Federação da Agricultura e do Abastecimento (Faep), a preocupação é que enquanto a situação não se define, só aumentam os prejuízos. ''E se não for a febre aftosa, quem vai pagar pelo leite derramado?'' perguntou o assessor econômico da entidade, Carlos Augusto Albuquerque.
Os prejuízos com as suspeitas da doença estão se alastrando no Paraná. O Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes) reagiu com indignação à posição das grandes redes de supermercados em rejeitar a compra de carne produzida no Paraná.
Para o consultor do Sindicarnes, Gustavo Fanaya, se os frigoríficos paranaenses não venderem a carne no mercado interno, vão vender para quem? Segundo Fanaya, 90% dos principais países compradores de carne embargaram a compra de carne bovina do Paraná. ''A Rússia já está com a caneta na mão para suspender a compra de carne suína assim que forem confirmados os focos da doença no Estado'', disse.
Fanaya criticou a atitude das grandes redes de supermercados, frisando que o boicote é antipatriótico e pode causar a desestruturação de toda uma cadeia produtiva e demissão de milhares de pessoas. Ele identifica nessa rejeição à carne paranaense uma estratégia das grandes redes em desqualificar o pequeno varejo, ''insinuando que esse nicho de mercado não se preocupa com a qualidade do produto oferecido''.
O que parece - afirmou - é que os supermercados estão querendo aumentar a participação num mercado que vem sendo disputado com eficiência pelos açougues e pequenos mercados. Das 22 mil toneladas de carne que são vendidas mensalmente no Paraná, apenas 7,5 mil toneladas são vendidas pela rede de grandes supermercados.(V.C)

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