Linguicinha temperada, picanha mal passada, contrafilé ao ponto. No Brasil, churrasco é assim, cada um aprecia de uma maneira peculiar, com carnes, receitas e paladares completamente diferentes. Aproveitando o clima da 50 ExpoLondrina, a FOLHA conversou com alguns profissionais e produtores de raças bovinas para dar dicas e falar um pouco dos gostos e diversidade de sabores na hora de degustar aquela carninha.
Pedro Nunes, superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Limousin, é churrasqueiro convicto. Desde os tempos da faculdade de veterinária, ele se prontificava a comandar o preparo da carne nas festas e descobrir os segredos de fazer uma bela churrascada. ''Naquela época, às vezes o churrasco ficava uma delícia e às vezes a reclamação era geral, com a carne dura, 'gordurenta'. Resolvi então descobrir os segredos da carne, e confesso: ainda estou aprendendo'', comenta Nunes.
Depois de muitos erros e acertos, Nunes adotou a máxima para agradar a todos os seus convidados: ''se a carne não for macia, perdeu a freguesia''. Carne dura, independente do corte, terá reprovação geral. Pedro aproveita e dá alguns toques para não errar na hora da compra. ''Carne macia são de animais jovens, com idade abaixo de 3 anos. Pena que ainda não temos a tipificação e a rastreabilidade auxiliando na informação da idade para compra da carne, por isso, é bom ficar amigo do açougueiro''.
O produtor de raça Caracu Lício Isfer concorda com a opinião de Nunes. Para ele, independentemente da raça do boi que será preparado, a idade do animal tem que estar entre 20 e 24 meses. ''Carne perfeita é aquela que a boa genética do animal consegue ser transferida para uma carne macia e suculenta. O corte adequado é aquele com uma boa gordura de cobertura e marmoreio (gordura intramuscular). De resto, carne na grelha e no espeto'', ensina Isfer.
Já o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), José Antonio Fontes, é adepto do churrasco simples e saudável. Segundo Fontes, uma bela maminha ou costela, acompanhada de uma mandioca bem cozida fecham o cardápio ideal. ''Uma fonte de proteínas e uma de carboidratos e temos uma refeição completa. Dispenso até o tempero, para mim, uma carne bem escolhida com um pouco de sal grosso está ótimo. Para fechar, fogo em temperatura constante e na altura adequada'', completa o presidente da ANPBC.
Para Pedro Nunes, as guarnições são importantes para dar um toque especial na churrascada. Salada de folhas, pão de alho e farofa integram o cardápio. ''Uma salada farta de folhas favorece a digestão. Farofa e pão de alho enaltecem o sabor da carne, já o arroz e a mandioca fazem parte do carboidrato. Na questão do tempero, também fico apenas com o sal grosso'', finaliza Pedro.

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