Curitiba - Houve ou não aftosa no PR? Um ano depois da polêmica nem o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luís Carlos Guedes Pinto, nem o secretário Estadual da Agricultura e Abastecimento, Newton Pohl Ribas, quiseram dar uma resposta à pergunta. Como se tivessem fechado um acordo para não dizer nada definitivo sobre o assunto - e assim, não desmentir nenhum dos lados da história - ambos restringiram-se a afirmar que no momento ''não valia a pena questionar o passado''.
No entanto, o ministro afirmou que ''não temos dúvida de que houve foco de aftosa ou não teríamos tomado as medidas que tomamos''. Em seguida falou sobre a necessidade de pensar, agora, em medidas que venham consolidar a volta do Estado à condição de área livre de aftosa. Ele fez questão de salientar, entretanto, que ''foi decisão consensual'' para que o Paraná se submetesse às exigências da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), de modo a não colocar a carne brasileira sob suspeição diante do mercado externo.
''O Estado está livre da aftosa. E isso é fundamental. Essa dúvida só gera problemas'', disse o secretário, tentando dar um ponto final à polêmica. Pohl Ribas, admitiu, no entanto, que a posição da secretaria de não insistir na tese de que não houve aftosa no Estado é fruto de ''um acordo para não criar constrangimentos ao ministro''. ''É preciso olhar para o futuro, não ganharíamos nada em retomar o passado'', disse. O secretário, por sua vez, tirou do governo do Estado a responsabilidade única sobre a notificação de suspeita de foco feita inicialmente. A decisão, segundo ele, foi tomada em consenso em reunião do Conselho Estadual de Saúde Animal (Conesa).
Apesar de governo e secretaria não apontarem culpados ou responsáveis pela situação, alguém terá que responder às demandas criadas. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados no Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, durante todo esse período o setor acumulou perdas cerca de R$ 640 milhões.
André Carioba, proprietário da Fazenda Cachoeira, uma das propriedades declaradas foco de febre aftosa, aguarda apenas os resultados da necropsia nos animais sacrificados para entrar com pedido de indenização na Justiça. Outros proprietários rurais atingidos pela suspensão das atividades no Paraná devem seguir o mesmo caminho. Ao todo, segundo o ministro, já foram investidos R$ 4,7 milhões em indenização pelo abate dos animais. (M.G.)

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