Curitiba - Um gaúcho impetuoso, sem medo de enfrentar riscos; um mineiro cético e desconfiado; um pernambucano disciplinado e estudioso; e um paulista, que faz questão de cultivar relacionamentos em vários grupos sociais. São quatro empresários com personalidades distintas, mas que têm em comum uma história de sucesso: eles ganham muito dinheiro aplicando dinheiro na bolsa de valores.
As trajetórias de vida dos quatro mostram que não existe fórmula única para aplicar no mercado de ações, que cada pessoa tem seu perfil, seu grau de aversão a riscos e diferentes estratégias para tomar uma decisão. É exatamente essa idéia defendida por Geraldo Soares, vice-presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), um dos palestrantes do Expo Money, realizado em Curitiba. Na exposição, ele falou sobre seu livro ''Casos de Sucesso no Mercado de Ações'', no qual conta a história dos quatro investidores.
''Eles descobriram, com base nas características de cada um, como ter sucesso no mercado. São quatro pessoas com políticas de investimento totalmente distintas'', diz Soares, que conta, no livro, toda a trajetória de vida dos personagens, desde a infância, com objetivo de mostrar que o modo como foram criados também foi responsável pela geração de um investidor.
Os quatro, hoje, estão na faixa de idade entre 60 a 65 anos de idade, pertencem à classe A, moram em apartamentos de luxo e chegaram a essa situação tendo o mercado de ações como foco principal.
O mineiro José Otávio Melo Saraiva tem uma postura cética. No mercado de ações, é um gerenciador de riscos, que só compra ação quando minimizou o risco totalmente. ''Ele é capaz de ficar dois, três anos sem comprar ação, quando o mercado despenca ele entra comprando, mas só quando vê que não vai mais continuar caindo''. conta. Postura bem oposta à do gaúcho Ari Hilgert, considerado impetuoso e agressivo, e que aplica 100% de seu dinheiro em ações. ''Na crise de 2008, ele vendeu o que podia para aplicar ainda mais na bolsa. Ele assume riscos que eu mesmo não teria estômago para assumir'', admite Soares.
Já o pernambucano Samuel Emery, ex-militar e ex-médico, tem como característica o fato de estudar a fundo a história de cada empresa pela qual se interessa. ''Nunca vi alguém com a profundidade de análise que ele tem'', diz. O paulista Renato Rosseti, por sua vez, mantem relacionamentos com vários grupos sociais. ''Tem a turma do vinho, da música clássica, do mercado financeiro, das artes plásticas. Nesses relacionamentos ele recebe informações, confirma, estuda e faz aplicações''. Além de ações, ele também aplica em outras áreas, como artes e cavalos.
Perfil
A ideia é mostrar ao leitor que ele também precisa descobrir qual é o seu perfil para definir a melhor forma de aplicar em ações. ''As pessoas têm que saber como lidam com o risco. Quando a gente está em uma situação de risco, o estômago dói, então é preciso ver até que ponto o estômago aguenta'', avalia o palestrante. ''Se você for igual ao Ari, que arrisca e dorme bem à noite, pode seguir em frente. Se for do tipo que se desespera se perder 10% da aplicações, tem que ser um gerenciador de riscos. Se não gostar de ficar lendo balanço de empresa de madrugada, não vai conseguir ter a análise das empresas como o Samuel'', explica.
Para o gaúcho Ari Hilgert, risco nunca foi problema.''Para mim ser arrojado é uma coisa natural, mas sei que não é para todo mundo, porque a bolsa tem grandes riscos. O que eu sempre pensei foi que quanto maior o risco, maior seria o meu ganho, e sempre deu certo'', afirma ele que começou a aplicar em ações logo após ser convidado por um amigo para trabalhar em uma corretora. ''Comecei a investir em ações do Banco do Brasil, tomei gosto e fui adiante'', resume.

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