Quem compra por impulso pode se arrepender
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sábado, 11 de dezembro de 2004
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Quem nunca se apaixonou por um vestido na vitrine e, depois que levou para casa, viu que aquela peça não tinha nada a ver com seu estilo? Esse tipo de compra, por impulso, está presente no dia-a-dia da maioria das pessoas e tem um destino certo: o guarda-roupa de parentes, dos amigos e até as araras de brechós - menos o de quem comprou. Os sebos e brechós comprovam que muitos produtos poderiam ter sido evitados.
''Isso acontece sempre comigo. Compro bolsas, sapatos e roupas e quando chego em casa vejo que não ficou tão bem, que não é bem o meu estilo. Aquele sapato tão bonito começa a apertar o pé, enfim vi que joguei dinheiro fora'', diz a vendedora Marisa Domareski. ''Costumo guardar a peça por uns tempos no guarda-roupa e depois dou para alguma amiga. Não dá nem para vender porque a gente só passa raiva, não vão pagar o que custou'', complementa.
De acordo com Sandra de Almeida, dona do Brecho D'Griffe, na área central, de Londrina existem peças no seu estabelecimento que nunca foram usadas. ''Normalmente são presentes que as pessoas não gostaram ou compraram por impulso e se arrependeram'', conta. Segundo Sandra, de cada 10 pessoas que entram no brechó, oito são para vender as roupas. A dona de casa Estela Ferreira Mortari, 26, comenta que está tão difícil comprar que é preciso ter certeza quando vai investir o dinheiro em alguma roupa, calçado ou acessório. ''Já perdi muita peça porque comprava com a promessa de emagrecer, mas não emagrecia. Dou para minhas irmãs''.
''Tenho que me apaixonar pela roupa senão o dinheiro é perdido. Normalmente uso todas as peças que compro'', conta a dona de casa Mara Cardoso Ferraz, 50. Mesmo assim, ela disse que já comprou um vestido, há um ano, que ainda não conseguiu usar até hoje. ''Não sei porque, tinha gostado dele, mas agora acho que fica esquisito. Ainda não consegui sair de casa com esse vestido'', comenta ela.
Quem pensa que a compra por impulso é coisa de mulher, está enganado. O mecânico de manutenção Ricardo Hernandes Fertonani, 23, disse que é ''mestre''em comprar roupas que ficam encostadas no armário. ''Tenho calças e bermudas que não consigo usar. Depois que visto, acho que não ficou bem. É preciso pensar bem antes de comprar alguma peça, mas isso sempre acaba acontecendo comigo'', enfatizou ele.
Os ''arrependimentos'' não acontecem só com quem compra roupas, sapatos e acessórios. José Aparecido, funcionário do Sebo Paraná, também no centro de Londrina, disse que muita gente compra um CD, ouve uma vez e corre levar na loja porque não gostou. ''Isso acontece demais. Acho que é porque as pessoas se arrependem da compra'', comenta ele.


