Quem nunca realizou uma compra por impulso que atire o primeiro cartão de crédito. Quantas vezes você, em um supermercado, ou olhando a vitrine de uma loja decidiu adquirir um produto sem planejar anteriormente? Foi com o objetivo de pesquisar e analisar o que leva as pessoas a comprarem por impulso (aspectos econômicos e comportamentais) que três estudantes do curso de Psicologia e dois de Administração: Habilitação em Marketing do Centro Universitário Filadélfia (Unifil) entrevistaram 100 pessoas, 50% do sexo masculino e 50% feminino de um shopping center de Londrina.
O projeto de pesquisa foi coordenado pelas professoras Maria Eduvirge Marandola, Elen Gongora Moreira e Suzana Rezende e recebeu apoio da Fundação Araucária.
Segundo Suzana, a amostra de público foi calculada a partir do número de frequentadores nos finais de semana do centro de compras escolhido. A margem de erro foi de 10% do cálculo do tamanho da mostra. A pesquisa constatou que a maioria (54%) encontrava-se na faixa etária de 18 a 33 anos, com predominância de indivíduos casados e com escolaridade em nível superior.
Outro dado observado é que não há distinção de gênero ao se admitir que efetua compras não planejadas. Na somatória geral, as mulheres afirmaram, com ligeira vantagem, comprar mais por impulso (88% contra 82%). Elas também disseram comprar na hora mais vezes no mês (duas a quatro vezes) que os homens - 40% contra 24%.
A pesquisa também apontou que os homens gastam mais na hora da compra por impulso porque os eletrônicos são os maiores objetos de desejo. Já as mulheres não resistem ao apelo das roupas e acessórios. Porém, dentre os consumidores do shopping, roupas e calçados foram os itens mais referidos na preferência de compras não planejadas para homens (75% roupas e 45% calçados) e mulheres (72% roupas e 52% calçados).
De acordo com as coordenadoras do estudo, um grande percentual dos entrevistados relatou que a maioria das compras por impulso é realizada quando estão sozinhos e os objetos adquiridos, na maioria das vezes, são para uso próprio (44% homens e 58% mulheres). ''Esta característica da compra solitária talvez se explique pelo fato de o consumidor não ser julgado por outra pessoa e não precisar de justificativas para a ação'', sugerem.
Outros fatores relatados como motivadores das compras não planejadas estão: agradar as pessoas (26% para homens e 18% para mulheres) e vaidade (18% e 34% para homens e mulheres, respectivamente).
A análise das entrevistas também revelou que a maioria dos consumidores (76% dos homens e 56% das mulheres) sentiu-se satisfeita imediatamente ao realizar uma compra não planejada. ''Estes dados atestam o que prega a teoria econômica - o consumo traz prazer'', afirma Maria Eduvirge. ''A aquisição do objeto não possui apenas uma consequência utilitária. Muitas vezes o produto é um reforçador social importante (caso das marcas que simbolizam status), o qual explica a compra'', reforça Elen.
A exposição do produto em vitrine (64% homens e 70% mulheres) foi apontada como o maior atrativo para a compra por impulso. De acordo com a pesquisa, a facilidade em relação à forma de pagamento também é outro fator que contribuiu para este tipo de aquisição. A utilização do cartão de crédito foi citada por um número expressivo de consumidores (42% homens e 44% mulheres). ''A possibilidade de adiar a consequência punitiva de ficar sem dinheiro pode estar envolvida nesta questão'', hipotetizam as professoras.

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