''Quem arranja R$ 173, arranja R$ 180'', diz ACM
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sexta-feira, 24 de novembro de 2000
Das agências De São Paulo 
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que continua favorável ao aumento do salário mínimo para R$ 180,00. Quem arranja R$ 173,00 arranja R$ 180,00, afirmou, referindo-se à alegação do governo de que, sem a instituição da contribuição previdenciária para os inativos, somente seria possível elevar o mínimo para R$ 173,00. ACM fez esta afirmação ao deixar o plenário do Senado rumo a seu gabinete, onde reuniria-se, em seguida, com o líder do PFL na Câmara e candidato à presidência da casa, deputado Inocêncio Oliveira (PE).
Para Inocêncio, é excelente a alternativa apontada pela Comissão Mista de Orçamento para financiar o aumento do salário mínimo. A proposta da comissão é de uso de R$ 800 milhões da reserva de contingência, corte de R$ 300 milhões das despesas de custeio dos ministérios e arrecadação de R$ 1,7 bilhão com o combate à sonegação e elisão fiscal. Oliveira disse que a disputa do PFL com o PSDB e o PMDB pelas presidências da Câmara e do Senado não prejudicarão a votação das medidas necessárias à obtenção das receitas para o mínimo.
O líder previu que na terça-feira deverão ser retomadas as votações na Câmara. O PFL continua firme no sentimento de ajudar, pois a governabilidade não depende só do governo, afirmou Oliveira. Oliveira disse que a disputa entre ele e o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), pela presidência da Casa está apenas começando e em pé de igualdade. Não existe essa história de 200 votos contra cem, afirmou Oliveira. Segundo ele, o PMDB, que firmou acordo com o PSDB, tem 30 dissidentes e, entre os tucanos, há 20. Oliveira disse ainda que os partidos de oposição estão mais próximos dele do que dos tucanos. Espero ganhar no primeiro turno, como sempre ganhei , afirmou.
O presidente da Comissão Mista de Orçamento, Alberto Goldman (PSDB-SP) criticou a condição imposta pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e pelo relator-geral do Orçamento, senador Amir Lando (PMDB-RO) de só aprovar o orçamento da União de 2001 depois de definido o salário mínimo de R$ 180. Esta ligação é de interesse político e não de interesse da Nação, afirmou Goldman lembrando que o orçamento tem que vigorar a partir de janeiro, enquanto o novo salário mínimo só entrará em vigor a partir de maio.
Goldmann considerou justa a proposta do governo de se tributar a contribuição dos servidores inativos para que o reajuste do mínimo passe dos R$ 173 previstos para R$ 180. Segundo ele, a proposta é factível e justa. Estaremos tirando um pouquinho de quem ganha aposentadoria integral, acima de R$ 900 reais, e que ganha em média R$ 2,5 mil por mês, para dar a quem ganha 151 reais, disse Goldman.


