Nova York O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um recado direto aos grandes investidores e empresários internacionais presentes à palestra no Council on Foreign Relations. ''Quem apostar no fracasso do Brasil vai perder, porque nós, brasileiros, já perdemos muitas oportunidades no passado e não vamos perder mais uma oportunidade. O Brasil está consciente do jogo que tem de ser feito e vamos adotar as medidas que têm de ser feitas, com a ajuda de Deus, dos amigos e, por que não, de vocês'', disse Lula, dirigindo-se aos empresários e investidores.
Na primeira fila da platéia estavam presentes o megainvestidor húngaro George Soros, o lendário investidor norte-americano David Rockefeller e o ex-secretário do Tesouro norte-americano e atual presidente do comitê executivo do Citigroup, Robert Rubin. ''O Brasil não nasceu para ser a vida inteira um país emergente. Não vamos jogar essas chances fora'', reiterou o presidente.
Lula disse estar confiante em que a economia brasileira voltará a crescer e que a inflação está sob controle. Ele disse, brincando, que esperava que o risco País, ao invés de cair de 2.400 pontos-base no ano passado para cerca de 700 pontos-base atualmente, já estivesse em zero, porque ''não há mais risco no Brasil''.
O presidente afirmou que não se pode ficar culpando os países ricos pela ''nossa miséria''. Segundo ele, os países da América do Sul não têm de ficar reclamando dos seus problemas. ''A culpa é nossa, das nossas elites e dos nossos governos, que não fizeram as coisas que tinham de ser feitas há 50 anos. O Brasil, por exemplo, não fez a redistribuição de renda quando a sua economia apresentava as maiores taxas de crescimento do mundo; não erradicamos o analfabetismo e nem fizemos a reforma agrária quando deveríamos. Agora temos de correr atrás do prejuízo'', disse o presidente.
Lula reiterou à platéia sua confiança em que, até o final de novembro, as reformas da Previdência e tributária estejam aprovadas no Congresso. E disse que, depois disso, o governo passará a trabalhar em outras reformas importantes, como a reforma política, a da legislação trabalhista e a da estrutura sindical.

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