Reclamações de todos os tipos chegam ao Procon/PR diariamente. Algumas dizem respeito a consumo, mas há outras um tanto diferentes e até pitorescas que estão na memória dos atendentes. Entre os diversos casos lembrados está o de um senhor que procurou a Coordenadoria Estadual de Defesa e Proteção do Consumidor para abrir uma reclamação contra sua vizinha a respeito de uma ‘‘cobertura’’. Mais adiante, explicou possuir um cachorro que fez uma ‘‘cobertura’’ na cachorrinha pertencente à vizinha. Como resultado, nasceram filhotes que foram vendidos pela dona da fêmea, mas esta, segundo o reclamante, não havia repassado o valor combinado.
Outro caso marcante foi a reclamação aberta por uma consumidora que encomendou uma peruca para ser doada. Ao receber sua encomenda, constatou a presença de lêndeas. Ela, então, levou-a até à Vigilância Sanitária, obtendo um laudo que comprovou a existência dos ovos de piolho. Um cabeleireiro de sua confiança também verificou irregularidades no tamanho dos fios.
Um contato não realizado com seres extraterrestres foi motivo para uma vinda ao Procon. Certa pessoa abriu uma reclamação contra um grupo de ufologia que prometia contatos imediatos e agendados com seres extraterrestres, mas que não aconteceram. Embora esse contatos não tivessem ocorrido, os pagamentos deveriam continuar sendo efetuados, pois o grupo alegava não ter culpa pela agenda não ter sido cumprida.
Segundo o coordenador do Procon, Naim Akel Filho, ‘‘graças a credibilidade que tem junto à população a Coordenadoria acaba funcionando como órgão de aconselhamento sendo procurado para resolver os mais diversos problemas. Vale lembrar que o Procon tem como objetivo informar e orientar o consumidor sobre seus direitos e deveres, defendê-lo contra práticas lesivas nas relações de consumo, quer junto a estabelecimentos comerciais, industriais, prestadores de serviços bem como órgãos públicos. O nosso objetivo é orientar a população no que for preciso.’’
Outros casosEntre as outras reclamações que podem ser consideradas diferentes está a do consumidor que queixou-se de um preservativo masculino que estourou e acabou engravidando uma menor. O problema, porém, é que o consumidor era casado e por causa dessa situação perdeu a família, emprego e ainda estava sendo ameaçado de morte pelo pai da jovem.
Divórcios e separações também são questionados. Uma senhora procurou a Coordenadoria para fazer sua separação. Ela, porém, ‘‘assustou-se’’ com o número de pessoas presentes acreditando que todas estavam ali pelo mesmo motivo. Houve ainda o caso de outra senhora reclamando do seu ex-marido, que a ameaçava se soubesse de novo relacionamento.
E animais com ‘‘defeitos’’, dá para reclamar? Sim, foi o que ocorreu com uma pessoa que adquiriu um cachorrinho ‘‘defeituoso’’ e que morreu, resultando numa reclamação. O mais engraçado, porém, aconteceu no dia da audiência, quando o fornecedor trouxe uma ninhada para que um dos animais fosse escolhido. Os filhotes ficaram brincando durante toda a sessão, tendo, inclusive, sujado a mesa onde estavam.
A lista de queixas não para por aí. Roupas que mancham o corpo; presuntos que quebram dentes; adesivos que engordam ao invés de emagrecer; produtos de sexshop que não satisfizeram o consumidor; briga de vizinhos; problemas de saúde não solucionados por médicos; ovos de codornas que transformam o corpo e muitos mais.
Akel salienta que, ‘‘o Procon orienta sobre quaisquer problemas que envolvam o consumo de bens ou prestação de serviços, nas áreas de alimentação, saúde, habitação, produtos e serviços’’. Lembra, também, que ‘‘é fundamental o consumidor juntar toda a documentação que puder (nota fiscal, recibos, contratos, certificados de garantia, cartões de cobrança, carnês e comprovantes em geral) para que fique caracterizado o prejuízo causado, facilitando assim a sua solução.’’

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