Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
A supervalorização do dólar este ano teve duas consequências para as agências de viagem: aumento na venda de pacotes nacionais e queda brusca no interesse por viagens ao exterior. Em sete agências de viagens consultadas pela Folha, os agentes foram unânimes ao dizer que durante todo o ano e, principalmente, no réveillon o local mais procurado pelo turista brasileiro é o Nordeste.
‘‘Todas as capitais desta região devem receber milhares de visitantes neste final de ano. A estação e a facilidade de pagamento atraíram muita gente’’, disse Valentim Aparecido Martins, sócio-proprietário da agência de viagens Ilha do Mel, de Londrina.
Segundo Angela Maria Barbieri, agente da agência Avalon Viagens e Turismo, as operadoras apostaram alto na comemoração do Ano Novo em Nova York e os hotéis elevaram em 60% o valor das diárias. Essa foi uma das razões que provocou a queda de 40% na venda de pacotes para o exterior.
Angela aconselha aos que não abrem mão de conhecer outros países fugir do contrato com as operadoras e fazer seu próprio pacote com as agências. ‘‘Em outubro, tínhamos um plano de sete dias em Nova York por US$ 3.800/pessoa. Hoje, o turista poderia fazer a mesma viagem em 10 dias, pagando US$ 1.800/pessoa. Isso é possível através da venda separada de passagem aérea e hospedagem’’.
Para recuperar os turistas assustados com o custo dos pacotes, as operadoras lançaram mão de promoções desde a semana passada. Na opinião do agente de viagens Alberto Anami, da agência Yoshida Turismo, essa estratégia não surtiu o efeito esperado porque chegou muito tarde.
‘‘Quem tinha planos de viajar no final do ano já se programou há muito tempo. O setor está muito parado. Esperávamos vendas melhores’’, afirmou Fernanda Ferreira, agente da agência Office Turismo.
Márcia Alves Vieira, agente da Via Azul Viagens e Turismo, disse que perdeu clientes que preferiram alugar uma casa de praia e viajar no próximo ano. A expectativa do setor é que as vendas cresçam em janeiro e fevereiro, quando o preço dos pacotes deverão cair. Ela acredita que até mesmo as viagens para o Nordeste ficarão mais baratas, pelo menos, R$ 100 por pessoa, dependendo do lugar.
Até a tradicional excursão a Disney World foi afetada pela cotação da moeda norte-americana. Segundo Martins, o ‘‘reino encantado da fantasia’’ esperava receber este ano 40 mil brasileiros, mas eles não chegaram a 20 mil. ‘‘A crise econômica e a falta de circulação de dinheiro fez o brasileiro viajar menos em 99’’.

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