Franca- Cerca de 3 mil pessoas participaram ontem de um protesto organizado pela indústria calçadista de Franca, a 400 quilômetros de São Paulo, que culminou com a queima de tênis e sapatos na praça central da cidade, um dos principais pólos de produção de calçados masculinos do País. Os empresários pretendiam queimar cerca de mil pares, que chegaram a ser amontoados no local do protesto, mas optaram por colocar fogo em 25 pares após pedido das autoridades ambientais. Outros 1.500 pares foram doados para entidades assistenciais e serão vendidos em uma feira beneficente.
Os empresários da cidade criticam, principalmente, a desvalorização do dólar, que tira concorrência do produto nacional no exterior e incentiva a entrada de similares mais baratos chineses. ''O principal problema é o dólar. Essa política do governo gerou a maior crise que eu vi em mais de 40 anos dentro do setor calçadista'', disse Jorge Donadelli, presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca). A entidade irá encaminhar a todos os candidatos a cargos majoritários no Estado de São Paulo e no Brasil, a ''Carta aberta de Franca'', lida no protesto.
Carta- No documento, os empresários expõem a situação do setor calçadista em Franca. Com 760 fabricantes, 552 de pequeno porte, o pólo calçadista francano chegou a ter o dobro de indústrias e a empregar 35 mil pessoas nas décadas de 70 e 80. Dos 23.500 empregados no mesmo período do ano passado, restam 14.600 hoje, de acordo com dados do Sindifranca. São produzidos na cidade 27 milhões de pares, ou 73% da capacidade instalada de 37 milhões de pares/ano.
A ''Carta aberta de Franca'' aponta qual seria a situação ideal para o setor e dá sugestões ao governo para atingi-la. Para o segmento, o dólar ideal, hoje abaixo de R$ 2,20, seria de R$ 2,70. A indústria pede ainda o aumento da alíquota de exportação do couro para evitar que países concorrentes importem a matéria-prima mais barata e depois exportem o calçado pronto para o Brasil.
O documento critica ainda a falta de atenção, por parte dos políticos, para reuniões solicitadas e a liberação dos créditos de exportação sobre o ICMS estadual recolhido.

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