Queda nos preços agrícolas faz IGP-10 recuar
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terça-feira, 10 de agosto de 2004
Ivone Portes<br> Agência Folha 
Rio de Janeiro - A queda nos preços dos produtos agrícolas fez o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) recuar para 0,19% na primeira prévia de agosto. É o menor índice para o período desde fevereiro. Na primeira prévia de julho, a taxa havia atingido 0,56%.
Os preços no atacado, medidos pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), passaram de 0,57% para 0,07% entre a primeira prévia de julho e a de agosto.
O destaque no atacado foi a retração de 0,70% nos produtos agrícolas depois de terem subido 0,76% na primeira prévia de julho. O recuo dos preços no atacado se deve à melhora do clima e à safra de alguns produtos, como cereais e grãos.
Por outro lado, alguns itens alimentares apresentam alta, o que pode resultar em um pequeno repasse de preços no varejo até o final do mês. É o caso, por exemplo, de hortaliças, legumes e frutas. Segundo o coordenador da análises da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, esses produtos já podem estar subindo em razão da mudança de estação.
Os legumes e as frutas subiram 5,75% no período, após registrarem retração de 1,71% na primeira divulgação de julho. Quadros considera, porém, que a alta no atacado nunca é repassada para o varejo na mesma proporção. Tanto que, no acumulado do ano, o IPA aponta expansão de 10,06%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registra alta de 4,56%.
Além disso, a perspectiva é que a isenção da cobrança do PIS/Cofins sobre a cesta básica de alimentos, como arroz, feijão, farinha de mandioca, entre outros, continue empurrando para baixo os preços de itens alimentares. No varejo, a desaceleração dos preços foi puxada basicamente pela retração nos grupos alimentação e vestuário. O IPC, que mostra a evolução dos preços no varejo, apresentou alta de 0,32%, após variação de 0,51% na primeira prévia do mês passado.
Alimentação passou de uma taxa de 0,32% para uma variação negativa de 0,03%. Vestuário saiu de uma alta de 0,99% para queda de 0,13%, refletindo as promoções do final do inverno. A gasolina, depois de subir 6,27% na primeira prévia de julho, teve queda de 1,31% no varejo, segundo a FGV.
Os preços ao consumidor só não desaceleraram mais por causa do impacto da habitação que passou de 0,23% para 0,75%. Os preços subiram devido às altas de 2,59% da energia elétrica e de 1,81% da telefonia residencial. A menor pressão dos combustíveis também ajudou a amortecer o aumento das tarifas. No atacado, a variação dos combustíveis passou de 1,33% para 0,18%. No varejo, a gasolina registra queda de 1,31%.
Quadros avalia que com a redução da alta dos combustíveis e das tarifas de telefonia e luz há espaço para o IGP-M continuar desacelerando e ficar em torno de 1% neste mês. De acordo com ele, o aumento da demanda interna em razão do aquecimento econômico do País ainda não está gerando pressão inflacionária. No ano, o IGP-M acumula aumento de 8,39% e em 12 meses, de 11,30%.


