Queda nos lucros afasta estrangeiros
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - As perspectivas de lucros menores para o setor financeiro estão, cada vez mais, levando os bancos estrangeiros de investimentos a reduzirem a atuação no País, avaliou o presidente da ABM Consulting, Alberto Matias. ''O grande interesse destas instituições pelo Brasil derivava dos altos spreads obtidos. Aqui era o paraíso financeiro, o que atraiu investimentos deste bancos.'' Ontem, o Bradesco anunciou a compra da carteira e dos fundos do banco norte-americano JP Morgan no Brasil (veja matéria nesta página). Anteontem, circulavam pelo mercado informações não confirmadas de que o Bank of America também estaria deixando o País.
De acordo com Matias, nos últimos dez anos o Brasil registrou o menor volume de crédito sobre o PIB do mundo, cerca de 28% - na Espanha, por exemplo, esse volume é de 134% -, simultaneamente com as taxas de juros mais altas. ''É um país desenquadrado e isso começa a mudar.''
Segundo o consultor, a indicação de redução dos juros da política econômica dada pelo governo Lula implicará consequentemente na queda destes spreads. ''As taxas reais já vêm caindo por causa da inflação. Então, aqueles que não têm condições de ter ganhos em razão de floating já começam a sair'', salientou, acrescentando que a tendência é que estes bancos voltem seu foco para os mercados nos EUA e Europa.
Para ele, essa migração tende a aumentar nas instituições de atacado, principalmente nas áreas de corporate e corretagem. ''O setor de investimentos não mais poderá usufruir ganhos excessivos típicos das carteiras de títulos. Terá de haver uma mudança de perfil com alvo em investimentos tradicionais e gestões de risco mais sofisticadas'', afirmou.
Para o setor de varejo, ele previu uma concentração ainda maior de instituições porque é uma área que exige alto volume de crédito e escala. Nesse sentido, ele acredita que o próprio Bradesco é um forte candidato à compra do Bank of America, se for confirmada a informação de que o banco deve deixar o País.


