Queda no ritmo do varejo reduz risco inflacionário em 2011
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Jacqueline Farid e Flavio Leonel<BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro - As vendas do comércio varejista cresceram 0,4% em julho em relação a junho e 10,9% em relação a julho de 2009, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na evolução mensal, o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Roberto Padovani, avaliou que o resultado comprova a redução do ritmo de crescimento da economia em relação ao início do ano. E o técnico da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Nilo Lopes, disse que, apesar da queda no ritmo, não há sinal de reversão da trajetória de crescimento.
''Os dados em 12 meses, que ilustram melhor a tendência de longo prazo, mostram que ainda há fôlego de crescimento no comércio, não há desaceleração, mesmo com a perda de ritmo dos aumentos na margem (na comparação com mês imediatamente anterior'', afirmou. Em 12 meses, até junho, o varejo acumulou expansão de 9,7%, ante 9,3% em junho e 8,8% e maio. Segundo Lopes, o expansão do crédito e, sobretudo, continuidade na elevação da massa salarial, impulsionada pelo emprego.
Padovani concorda ao ressaltar a importância da informação, que para ele, é um dos fatores que indicam menores riscos inflacionários para 2011, mesmo com um nível de expansão garantido para 2010. ''A questão sobre a economia brasileira não é se vamos crescer ou não, mas qual será o ritmo deste crescimento, pois isso traz implicações para a condução da política monetária'', disse Padovani. ''No começo do ano, no primeiro trimestre, havia uma euforia grande em relação ao ritmo de expansão e vários analistas duvidavam que este ritmo pudesse ser alterado. O que ficou claro com os dados do segundo trimestre e, agora, com este dado de hoje (ontem) que faz parte do terceiro trimestre, é que o ritmo foi alterado. A economia continua forte e robusta, mas o ritmo de crescimento está se alterando'', explicou.
Para os próximos meses, Padovani prevê que a indústria passe por um período de redução de estoques, mas com comércio fortalecido. ''O ritmo de crescimento aguardado para o terceiro e para o quarto trimestre tem muito mais a ver com o observado no segundo trimestre do que com o primeiro trimestre'', avaliou. Ele manteve a projeção de que as vendas no comércio varejista crescerão 9,5% neste ano, ante uma expansão de 5,90% em 2009.
Preço de alimentos
Lopes, do IBGE, disse que o segmento de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de maior peso na pesquisa mensal de comércio do instituto, respondeu sozinho por 5,3 ponto porcentual, ou 49,2% do aumento de 10,9% apurado nas vendas do varejo em julho ante igual mês de 2009. Nessa comparação, as vendas desse grupo registraram alta de 11,0%. Ele disse que os supermercados estão sendo beneficiados pela queda nos preços dos produtos alimentícios.
E observou que a desaceleração no resultado desse segmento, ante mês anterior, em julho (0,1%) em relação a junho (1,5%) deve refletir apenas uma acomodação. ''Os resultados ante o mês anterior são muito voláteis e é difícil encontrar uma explicação para essa perda de ritmo'', disse.
Entre as 10 atividades do varejo investigadas na pesquisa do IBGE, o maior aumento apurado nas vendas em julho ante igual mês de 2009 foi registrado em equipamentos de escritório e informática (20,3%) que, por sua vez, amargou também o pior resultado (-4,4%) ante o mês anterior. Segundo Lopes, a queda registrada ante junho nesse segmento responde à base de comparação muito elevada de junho (4,8%) ante maio.


