Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A queda no ritmo de desemprego na indústria verificada nos últimos meses levou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a prever um aumento do emprego este ano, embora os economistas da entidade ainda não arrisquem um percentual. Se confirmado, esse seria o primeiro crescimento desde a década de 80.
‘‘Essa inversão de tendência deve se sustentar ao longo do ano, com um incremento de 4% a 5% esperado para a indústria em 2000’’, afirmou o chefe do Departamento Econômico da CNI, Flávio Castelo Branco. ‘‘Os primeiros dados deste ano já devem mostrar um mercado de trabalho mais ativo.’’ Um estudo feito pela entidade projeta um aumento maior nas vagas de setores como calçados e têxtil, principais beneficiados pela desvalorização cambial em janeiro do ano passado.
Para o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, a conjunção das medidas econômicas adotadas durante o ano passado – a nova política cambial, a queda dos juros e o maior equilíbrio das contas públicas – animou os empresários a rever seus planos de investimentos no País. ‘‘As indústrias ganharam mais competitividade para disputar mercado com a desvalorização cambial’’, analisou. Com a substituição dos importados e o crescimento das exportações em 99 houve um aumento de produção, que se refletiu em maior demanda por trabalho.
O professor da PUC José Marcio Camargo descartou uma redução significativa na taxa de desemprego nos próximos dois anos. O crescimento econômico, segundo ele, vai gerar empregos, mas não o suficiente para absorver todo o contingente fora do mercado. ‘‘A taxa só deve cair mesmo a partir de 2003, quando a economia estiver mais equilibrada.’’