Queda no rendimento dos trabalhadores preocupa
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O rendimento dos trabalhadores e a massa salarial mostraram desaceleração em abril e os efeitos da perda de ritmo no consumo interno preocupam analistas. Na média das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, a renda ficou em R$ 1.318,40, com alta de 3,2% ante igual mês do ano passado, mas queda de 0,7% ante março, o terceiro recuo consecutivo ante mês anterior.
Para José Márcio Camargo, da PUC-RJ, os dados da renda estão piorando muito rapidamente, o que confirma um mercado de trabalho fraco e com possíveis efeitos negativos para o mercado interno nos próximos meses. Segundo ele, a massa salarial (soma dos ocupados e do rendimento total) desacelerou de uma alta de 5,9% em 12 meses até março para 3,4% em abril.
Para Ariadne Vitoriano, da Tendências Consultoria, os dados em 12 meses da massa salarial representa um bom enfraquecimento da taxa de crescimento em relação ao mês anterior. Segundo ela, a desaceleração da massa de renda, que deve ser uma tendência para o ano, deve gerar uma pressão de baixa em consumo nos próximos meses.
O argumento de Ariadne é que com o ritmo mais fraco da atividade doméstica, os reajustes salariais deste ano devem ser menores dos que os concedidos no ano passado, quando a economia estava aquecida. A expectativa da Tendências é que o aumento da massa em 12 meses desacelere progressivamente e feche o ano com uma variação de 2,5%.
Segundo o IBGE, na comparação com igual mês de ano anterior, havia sido registrado aumento de 5,0% na renda média real em março, 4,6% em fevereiro e 5,9% em janeiro. O gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo, disse que apesar da perda de ritmo a renda continua subindo porque prossegue o aumento do trabalho formal, a inflação continua sob controle e houve reajuste do salário mínimo.
A queda de 0,7% na renda em abril, ante março, segundo ele, refletiu o aumento, nessa comparação, no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) médio nas seis regiões pesquisadas, usado como deflator para o cálculo da renda real.


