Queda no preço não está garantida
Brasília - Apesar do compromisso das montadoras de repasse do benefício fiscal aos preços dos veículos, o consumidor não terá nenhuma garantia de que os valores cobrados pelas revendas até o dia 31 de novembro serão, de fato, menores que os verificados até hoje. Ou seja, não há nada que assegure o aumento das vendas esperado pelo governo, pelas montadoras e pelos trabalhadores, bem como a reativação de toda a cadeia automotiva. Essa incerteza decorre da insegurança em relação ao comportamento dos custos variáveis que compõem a planilha de preço dos automóveis.
Logo depois do anúncio do pacote, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Ricardo Carvalho, deixou claro que os preços dos veículos poderão ser onerados, ao longo dos próximos meses, se houver elevação de custos de matérias-primas e de mão-de-obra, por conta do dissídio dos metalúrgicos em novembro. Como exemplo, citou o preço do aço, que aumentou 58% desde o início de 2002, e que elevou os preços dos veículos.
''Se houver novo aumento do aço, teremos de rever os preços dos veículos. Teremos também o dissídio em novembro, que terá seu impacto'', declarou Carvalho. ''Mas não vamos recuar no repasse da redução do IPI até o final de novembro, que será mantido'', reiterou.
O compromisso de preservação de empregos, entretanto, mostrou-se mais concreto e com perspectivas mais otimistas para toda a cadeia automotiva, que emprega cerca de 1 milhão de trabalhadores no País. Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que participou da negociação, essa foi a primeira medida concreta adotada pelo governo em favor da preservação dos postos de trabalho, uma vez que contornará a tendência de demissões em massa em agosto, três meses antes do dissídio dos metalúrgicos.
O sindicalista, porém, concordou com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, José Lopez Feijoó, que esse pacote de emergência não elimina a necessidade de ações do governo no âmbito macroeconômico para o reaquecimento da economia nem resolve problemas estruturais, que serão tratados no Fórum de Competitividade da Cadeia Automotiva, instalado na semana passada.
''A redução do IPI é só um pouco d'água em um incêndio. Espero que o governo mexa na grande política econômica para beneficiar todos o setores'', afirmou Paulinho.





