Queda no preço do leite assusta produtores
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O temor da queda no preço do leite por causa da concordata da Parmalat está assustando os produtores. Em Arapoti (149 quilômetros ao sul de Jacarezinho) as empresas que compram na região, a maioria de São Paulo, já baixaram o preço do leite em 6%. ''Os produtores que vinham recebendo R$ 0,50 o litro foram surpreendidos ontem com a oferta de R$ 0,47 o litro'', informou o produtor de leite Joeste Inácio Ferreira.
Já no sudoeste, onde predomina os pequenos produtores com poucas alternativas para mudar a atividade, o temor é ainda maior. Em Capanema e municípios vizinhos, os produtores só serão informados de quanto vão receber pelo leite que estão entregando para as indústrias no início do próximo mês, quando fizerem os pagamentos. ''Aí vamos conhecer o tamanho do estrago'', disse Assis Pereira Viana, presidente do Sindicato Rural do município.
Na região de Carambeí, os produtores estão apreensivos embora estejam recebendo normalmente pelo leite que estão entregando na Batávia, disse um produtor que preferiu não se identificar. A Batávia é a indústria de laticínios onde a Parmalat tem 51% das ações. O restante é das cooperativas Batavo, Castrolanda e de Arapoti.
De acordo com assessoria da Parmalat, a Batávia não foi envolvida no pedido de concordata da empresa porque não é dona sozinha do empreendimento. ''Na região, os produtores estão produzindo, entregando e recebendo normalmente, apesar da preocupação com o futuro da atividade'', disse o produtor.
O presidente da Comissão Técnica do Leite, da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi, alertou os produtores que não se deixem levar por movimentos especulativos. Ele reconhece que o ambiente psicológico em decorrência do pedido de concordata da Parmalat é muito ruim, mas insistiu junto aos produtores para que resistam à proposta de queda de preços dos laticínios.
Volpi alertou que no Paraná a situação é diferente de outros estados onde a Parmalat é única compradora. Aqui tem uma centena de pequenas e médias empresas que compram o leite e não existem fatores nem de produção nem de consumo para a derrubadas dos preços.
Em Ponta Grossa, o governador em exercício Orlando Pessuti (PMDB) foi bombardeado com pedidos de esclarecimentos sobre a Parmalat. Ele disse que o governo estadual está disposto a criar linhas de crédito especiais para as cooperativas recomprarem o controle acionário da Batávia.


