Kraw PenasConcorrênciaO vice-presidente da TAM, Luiz Eduardo Falco: ‘‘As outras empresas poderão entrar no vermelho’’A redução das tarifas aéreas pela maioria das companhias já está sendo sentida no número de passageiros que estão viajando. A TAM estima que desde o dia 12, quando o preço da passagem caiu, houve um aumento de 20% na lotação dos vôos da ponte aérea Rio-São Paulo. A TAM acredita que a médio prazo o aumento do público poderá chegar a 40% em algumas linhas. Há uma semana, as companhias travam uma batalha por preços mais atraentes para os passageiros. A redução chega a 45% em algumas empresas.
A decisão de reduzir as tarifas aéras partiu da TAM, após um estudo sobre o pontecial de clientes que estava sendo desperdiçado. Um levantamento feito pela empresa mostrou que no ano passado 18 milhões de pessoas viajaram de avião. ‘‘Esse público foi o mesmo que, nos primeiros anos do plano econômico, invadiu as lojas atrás dos produtos da linha branca (geladeiras e freezers)’’, afirmou o vice-presidente da TAM, Luiz Eduardo Falco.
Falco esteve ontem em Curitiba para apresentar as novas tabelas de preços aos agentes de viagem e convidados. Os preços da TAM caíram em até 30% nas duas últimas semanas. Uma viagem de Curitiba a São Paulo, com desembarque no Aeroporto de Congonhas, pode custar R$ 82,00. Se o desembarque for em Guarulhos, o preço é de R$ 102,00. Empresas concorrentes, como a Vasp e a Rio Sul, também derrubaram seus preços. A Vasp cobra R$ 59,00 pelo vôo de Curitiba a São Paulo e a Rio Sul, R$ 101,00. A Rio Sul colocou as tarifas R$ 1,00 mais barata do que a da TAM, até o dia 31 de maio, quando fará avaliação do resultado da campanha.
Falco garante que a redução de preços não se transformou em guerra entre as companhias. ‘‘Se fosse guerra, nós iríamos reduzir ainda mais nossos preços. A guerra é prejudicial ao consumidor’’, afirmou. Há cinco anos, as companhias norte-americanas baixaram os preços em até 7%. Muitas não suportaram a redução e quebraram. As empresas que sobreviveram acabaram elevando os preços em 35% anos mais tarde.
O vice-presidente da TAM admite que tarifa mais barata representa redução da margem de lucro. ‘‘Chegamos a ter uma margem de lucro de 35%. No ano passado, a média ficou em 10% e neste ano deveremos ter uma margem de 7%’’, calculou Falco. Ele chegou a arriscar um palpite ao dizer que muitas companhias aéreas poderão ‘‘fechar no vermelho’’, pois reduziram os preços apenas para concorrer com a TAM sem fazer um planejamento adequado.
A TAM aposta no pontecial de investimento para vencer a concorrência. Hoje a maior empresa brasileira é a Varig, com 40% do mercado nacional. A TAM disputa a segunda colocação com a Vasp e a Transbrasil. Cada uma detém 20% do mercado. Luiz Eduardo Falco afirmou que a TAM investirá R$ 4 bilhões até 2004.

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