Queda no poder aquisitivo favorece comércio popular
A troca de produtos caros por similares mais baratos, decorrente da queda do poder aquisitivo do consumidor brasileiro, amplia as oportunidades de negócio dos empresários do setor de ''artigos populares''. Em Londrina, comerciantes da Rua Sergipe (centro) e adjacências confirmam aumento na demanda por itens de preço mais baixo.
Proprietário de uma confecção de roupas infantis que funciona atrás de uma loja multimarcas de sua propriedade, o empresário José Ari Martiri contabilizou um aumento de 30% nas vendas da marca própria no último ano. Ele atribui o crescimento à maior demanda por artigos mais baratos e também à movimentação causada pelo Shopping Popular, vizinho da loja. Setenta por cento do faturamento da empresa vem da facção.
O comerciante Valdemir de Souza, dono de duas lojas de calçados, também observou mudanças nos hábitos do consumidor. ''Aumentou a procura de artigos 'para bater''', disse, referindo-se aos calçados comprados para utilização no dia a dia. Ele contou que os pais estão mais reticentes em atender os desejos de consumo dos filhos. ''Hoje em dia, os pais só compram produtos de marca quando a criança insiste muito'', contou. No caso de artigos esportivos, entretanto, o consumidor continua preferindo as marcas mais conhecidas. ''Eles compram menos artigos, mas levam a marca mais cara'', disse.
Outra comerciante da região é Luciene Melochero, que possui uma loja de confecções. Apesar de confirmar o aumento da demanda por produtos de primeiro preço, ela afirmou que há mercado para os itens mais caros. ''Tem cliente que compra menos para garantir a qualidade'', comentou.





