Imagem ilustrativa da imagem Queda no consumo 'derruba' inflação


A inflação de novembro fechou em 0,18%, o menor patamar desde a redução de 0,12% de 1998, puxada pela redução nos preços dos alimentos e pela recessão econômica, que diminuiu o consumo. O resultado é também menor do que os 0,26% de outubro deste ano, o que indica perda de força na remarcação de preços. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado desde janeiro, a inflação está em 5,97%, o que abre espaço para que, após a definição do índice de dezembro, o total para o ano fique abaixo de 6,50%, teto da meta de 4,50 estipulada pelo Banco Central (BC) para o ano. Ainda, a desaceleração faz com que aumente a probabilidade de redução da taxa básica de juros, a Selic, pelo mesmo órgão, o que ajudaria a destravar investimentos para que o País comece a se recuperar da crise.

Com a recessão, porém, o País passa por um momento de baixo consumo. "As pessoas de fato não estão comprando. Vestuário, passagens aéreas, que estão caindo, em vários itens podemos ver o efeito demanda, que fez com que a taxa (do IPCA) fosse contida", afirma a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

Motivo que faz com que a inflação tenda a ficar dentro do limite de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo, da meta do BC. "Pode ficar abaixo do teto porque parece que todo o mundo está comprando menos", diz o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon), Laercio Rodrigues de Oliveira.

Para Oliveira, as famílias continuam endividadas, principalmente em financiamentos de médio e longo prazos. "Com o desemprego alto, porque as empresas nem mesmo contrataram tanto quanto faziam no fim do ano, o ânimo do consumidor diminui e os preços precisam baixar para que alguém compre", diz. "Até o BC está acenando com a queda de juros", completa.

O chefe do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski, considera que é preciso cautela ao falar sobre meta do BC, devido ao reajuste de preços de combustíveis anunciado pela Petrobras. Ele também alerta que há expectativa sobre o que os novos prefeitos farão com os preços administrados e impostos a partir de janeiro para elevar a arrecadação. "Já tivemos problemas no governo da Dilma (Rousseff, ex-presidente) por represar os preços administrados, que depois explodiam. Tivemos duas reduções de preços da Petrobras que não chegaram às bombas", lembra.

Pianowski diz que os lojistas devem ficar atentos aos sinais de que os consumidores não vão gastar demais no fim de ano. "A Black Friday acenou que, com preços mais baixos, as pessoas compram."

Na cesta básica
Cinco dos nove grupos tiveram desaceleração ou queda na variação de preços no mês em relação ao anterior. Tratam-se de Alimentação e Bebidas (-0,05% em outubro para -0,20% em novembro), Habitação (0,42 para 0,30%), Artigos de Residência (-0,13% para -0,16%), Vestuário (0,45% para 0,20%) e Transportes (0,75% para 0,28%). Tiveram altas os segmentos Saúde e Cuidados Pessoais (0,43% para 0,57%), Despesas Pessoais (0,01% para 0,47%), Educação (0,02% para 0,06%) e Comunicação (0,07% para 0,27%).

A grande vantagem para as pessoas de baixa renda é a baixa nos preços dos itens alimentícios. As maiores quedas foram dos produtos feijão carioca (-17,52%, tomate (-15,15%), batata-inglesa (-8,28%) e leite longa vida (-7,03%), itens que tiveram altos reajustes devido a problemas climáticos. Por outro lado, houve alta nos itens cebola (6,09%), farinha de mandioca (4,26%), pescado (3,47%) e frutas (3,00%).

Em outros grupos, os itens com mais peso foram em eletrodomésticos (-0,92%) e aparelhos de TV, som e informática (-0,92%), que puxaram para baixo, e plano de saúde (1,07%) e o empregado doméstico (0,87%), que puxaram para cima. (Com Agência Estado)

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