Queda no consumo anula alta do dólar no setor têxtil
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sábado, 18 de junho de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A alta da cotação do dólar desde meados do ano passado animou as indústrias têxtil e de vestuário no País, pela possibilidade de redução de importações e recuperação da produção nacional. Não será neste ano. A crise econômica fez com que o consumo interno caísse drasticamente e executivos do setor voltam a falar que as empresas têm de buscar sobreviver a 2016 para voltar a crescer somente durante o próximo triênio.
Contabilizada de janeiro a março, a produção física caiu 15,9% na indústria têxtil e 11,4% na de confecções, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). A queda ocorreu mesmo com a redução de 45,3% nas importações na comparação entre os trimestres de 2015 e 2016. O valor diminuiu de US$ 2,480 trilhões no ano passado para US$ 1,356 trilhão. Em volume, a retração chega a 59,6%, informa a entidade.
"Não é um cenário de todo ruim", diz o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel. Ele estima que os primeiros quatro meses do ano foram de retração aproximada de 20% na produção na comparação com o mesmo período de 2015, mas isso porque o comércio ainda estava aquecido no ano passado.
Com o frio das últimas semanas, Pimentel estima que o setor tenda à recuperação até o fim do ano, com uma variação negativa ou próxima a zero. Porém, lembra que os números a partir de maio ainda não foram contabilizados pela Abit. "A valorização do dólar abriu a oportunidade de substituição de importações e dá um impulso às exportações, mas o balanço é incerto porque a economia ainda apresenta sinais muito contraditórios", explica o executivo.
No início do ano, a Abit apresentou previsão de queda de 1,8% no setor de vestuário e de alta de 9% no têxtil para 2016, diante de quedas de 10% e de 14,5%, respectivamente, em 2015. Contudo, o cenário político-econômico conturbado faz com que os executivos evitem novas previsões. "Precisamos neste momento de uma proposta crível de política fiscal, para retomar a confiança dos investidores e dos trabalhadores", diz Pimentel, ao lembrar que os brasileiros precisam de estabilidade também para continuar a consumir.
Recuperação adiada
O Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sivepar) e o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Londrina (Sinditêxtil) promoveram, na última terça-feira, o 1º Encontro do Setor Têxtil e Vestuário do Norte do Paraná, na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina, justamente para debater estratégias para o setor no ano. O superintendente de políticas industriais e econômicas da Abit, Renato Jardim, ministrou a palestra "Setor Têxtil e de Confecção: Situação Atual, Perspectivas e Agenda de Trabalho", para uma plateia de empresários da região.
O presidente do Sivepar, Alexandre Graciano de Oliveira, afirma que a exportação nacional no setor é pequena em relação ao faturamento estimada em 5% pela Abit , principalmente nas pequenas e médias empresas. "Para a gente é muito difícil competir no exterior, principalmente com os produtos da China", compara.
Oliveira diz que a redução nas importações foi positiva, mas que a queda no consumo deixou a receita "elas por elas". "Como o dólar está alto e tivemos um inverno mais frio neste ano, as coisas tendem a melhorar no segundo semestre", conta.
Também presente ao evento, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) Ary Sudan afirma que o mercado de vestuário entrou em queda desde 2010 com o crescimento dos importados. "As empresas estão sobrevivendo nos últimos três anos praticamente sem lucro e não vai ser tão diferente nos próximos três", declara.
Em longo prazo, há a possibilidade de as exportações crescerem pela ascensão à classe consumidora da China e da Índia. "Na palestra, o diretor da Abit disse que, até 2025, a China, que é a maior produtora, deve começar a consumir boa parte do que produz e isso vai abrir espaço para a indústria brasileira", conta Sudan. "Até lá, temos de nos preparar, com políticas que facilitem a atualização de equipamentos e com ganho de produtividade", completa Oliveira.


