Carmem Murara
De Curitiba
O presidente da Volvo do Brasil, Ulf Selvin, afirmou ontem que a crise que se abateu no mercado automotivo neste ano provocou redução de 25% nas vendas de caminhões e de 40% no setor de ônibus. Com esta retração do mercado nacional, a empresa migrou para as exportações, que bateram recorde no caso da comercialização de ônibus. A exportação de ônibus para América Latina e Caribe aumentou em 20%, passando a representar metade das vendas das unidades produzidas na fábrica de Curitiba.
A estratégia de manter aquecida a exportação permanecerá no próximo ano, pois a empresa considera que o fortalecimento do dólar frente ao real favoreceu as exportações. A meta é ampliar o leque de países que passaram a comprar caminhões e ônibus fabricados no Estado e para isso a Volvo do Brasil apresentará seu modelo de caminhão NH na feira de Amsterdã (Holanda), em fevereiro de 2000. O NH é produzido com exclusividade em Curitiba.
Os novos países que já fazem parte desta lista são Peru, Chile, Panamá, Cuba e República Dominicana. Há ainda negociações e início de vendas para Marrocos, Tunísia e Oriente Médio. ‘‘Exportamos oito caminhões para o Marrocos. Foi a primeira vez que exportamos para fora da América Latina’’, comemorou o presidente da Volvo do Brasil.
O crescimento do mercado externo se deve a dois fatores básicos que são a desvalorização do real, em janeiro deste ano, e o desaquecimento da economia nacional. As vendas da montadora no País caíram 20% e não há sinais a curto prazo de que haja uma melhora.
Mesmo assim, Ulf Selvin se mostra otimista e aposta num crescimento de 10% para o próximo ano. ‘‘A situação não poderá ficar pior do que em 99. Quanto mais se cai, mais se pode subir’’, disse o presidente da Volvo, em tom de descontração. Em seguida completou: ‘‘Não pudemos melhorar nossas vendas, mas não é nada dramático’’.
Apesar de o setor automotivo ter passado por uma das maoires crises dos últimos anos, a Volvo assegura que não tem planos de reduzir investimentos ou de enxugar sua estrutura no País. ‘‘Temos um processo contínuo de redução de custos, mas não há cortes’’, afirmou Selvin. Em abril, a Volvo fará a inauguração de sua fábrica de motores.

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