Queda nas vendas deflagra promoções em supermercados
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Preocupada com a queda nas vendas dos supermercados nos meses de abril e maio, alguns setores da indústria devem deflagar uma onda de promoções neste final de mês. A previsão é do empresário do setor atacadista Paulo Pennacchi, de Apucarana, ao informar que nada sinaliza que a redução nos preços dos produtos industriais está em queda. Penacchi, que é presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidoras lamenta que não são todos os setores que preparam promoções para vender mais.
Segundo Pennacchi, as indústrias de produtos derivados da soja (óleo e margarina) e do trigo (biscoitos, macarrão, misturas para bolo) já estão apresentando tabelas com promoções. Segundo o empresário, essas promoções começaram a ser repassadas ao consumidor. Em relação aos demais produtos vendidos em supermercados, ele se mantém mais cauteloso e diz que o consumidor deve esperar uma estabilidade nos preços.
O empresário Gumercindo Ferreira dos Santos Júnior, presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios do Paraná, também é pessimista com relação ao comportamento das indústrias. Segundo ele, apesar dos indicadores da economia estarem mais favoráveis à uma queda de preços, ele não detectou essa sinalização por parte das indústrias.
Infelizmente a indústria ainda está apresentando tabelas com novas altas, disse o empresário. Ele citou como exemplo os produtos achocolatados. Os produtos de limpeza estão com preços estáveis e a indústria não sinalizou com queda de preços, disse Gumercindo.
O empresário também concorda que os consumidores podem encontrar preços em queda de alguns produtos. Mas destacou que se isso ocorrer, é decorrência de promoções em função de estoques formados pelos atacadistas. Com dificuldades nas vendas e manutenção da alta dos juros, o atacadista quer livrar-se dos estoques, destaca. Com isso, Gumercindo reclama que a margem de venda do atacado anda muito espremida. A indústria aumenta o preço, mas o setor não consegue repassar ao pequeno varejo que é o seu cliente.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, a indústria está resistindo em repassar a queda da variação cambial e das cotações internacionais para os preços de seus produtos. Esse comportamento foi detectado pelo Banco Central e por isso ele manteve a taxa de juros em alta, justificou.


