As fortes quedas registradas pelas Bolsas dos Estados Unidos e da Argentina fizeram com que o dólar atingisse ontem a sua maior cotação desde o dia 6 de janeiro. No câmbio comercial, a moeda fechou em R$ 1,839 para compra e R$ 1,840 para venda, alta de 0,33%. As oscilações nas cotações não têm relação com a quantidade de dólares que têm entrado e saído do Brasil, e sim com o nervosismo do mercado.
Em momentos de incerteza, aumenta a procura por ‘‘hedge’’, ou seja, investidores começam a comprar mais dólares – no mercado à vista ou no mercado futuro – para se protegerem de uma possível crise.
A moeda chegou a ser cotada a R$ 1,848 na parte da manhã, mas recuou depois que o Banco Central vendeu R$ 3,3 bilhões em NBC-Es (títulos corrigidos pela variação cambial).
A venda desses papéis costuma segurar a cotação do dólar, pois eles têm a vantagem de pagar, além da variação cambial, uma determinada taxa de juros. Os títulos vendidos ontem, com vencimento em dois anos, vão pagar juros de 12,3% ao ano.
Segundo Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora Renova, o Brasil tem um alto grau de dependência externa e, por isso, o mercado de câmbio é um dos mais sensíveis a qualquer tipo de incerteza.
Com o agravamento das perdas das Bolsas dos EUA e da Argentina, porém, o dólar voltou a subir.
A ansiedade dos investidores diante da possibilidade de novas altas dos juros fez as Bolsas norte-americanas caírem novamente. A expectativa é que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) tenha de intervir com mais vigor nos próximos meses – para deter o crescimento da inflação norte-americana –, reduzindo os ganhos das companhias e suas ações.
O Nasdaq Composite (principal indicador da Bolsa eletrônica que reúne ações de empresas de informática e novas tecnologias) caiu 4,19% ontem.
O índice Dow Jones (que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York e representa as empresas da ‘‘velha economia’’) fechou em queda de 1,40%. ‘‘Ninguém está comprando nos últimos dias’’, disse Adam Weisman, diretor-gerente da corretora Wit SoundView, dos Estados Unidos. ‘‘O sentimento ainda é de ansiedade, e os investidores vão esperar por melhores notícias sobre a inflação.’’
Os investidores estão atentos aos dados da economia norte-americana que serão divulgados na próxima semana, para tentar prever a próxima atuação do Fed. Um indicador importante será a divulgação, na quinta-feira, da estimativa preliminar do crescimento do Produto Interno Bruto (quantidade de riquezas produzidas por um país) dos Estados Unidos no primeiro trimestre. Até lá as Bolsas subirão pouco, dizem os analistas.
O Índice Bovespa – que reflete as cotações das ações mais negociadas da Bolsa paulista – fechou ontem em 14.326 pontos, nível mais baixo desde 15 de dezembro de 99. No dia, a queda foi 2,05%. Colaborou para o resultado negativo o baixo volume de negócios, que ontem ficou em R$ 452,703 milhões. Nesta semana, a Bovespa registrou giro financeiro médio de R$ 553,858 milhões por dia. O valor é 32,7% menor do que a média de abril, que ficou em R$ 822,510 milhões.

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