Queda nas bolsas fortalece renda fixa
Queda nas bolsas fortalece renda fixa
Mês de junho abre com perspectiva de queda nas taxas de juros e manutenção da instabilidade no mercado de ações
Agência Estado
France PresseA cena se repeteOperador da Bolsa de São Paulo durante pregão na segunda-feria passada: cotações em baixaO mercado de investimentos dá largada a novo mês, com perspectiva de continuidade de queda das taxas de juros e manutenção da instabilidade nas Bolsas de Valores, cada vez mais influenciadas pelas expectativas políticas alimentadas pelos resultados de pesquisas eleitorais. O diretor-presidente da Lloyds Asset Management (LAM), Walter Brasil Mundel, projeta sua análise além de junho e comenta que, sem o calendário eleitoral, haveria boas oportunidades de investimento tanto na renda fixa como na variável. As eleições são um evento que exige mais cautela na escolha dos investimentos.
Uma das preocupações do momento, que pode lançar incertezas daqui para frente, está na redução da capacidade do presidente Fernando Henrique Cardoso de articular o discurso político e manter-se em destaque na mídia, aponta. As Bolsas de Valores tendem a oscilar bastante, de acordo com os resultados que indiquem favoritismo do atual presidente ou do candidato dos partidos de oposição, Luís Inácio Lula da Silva, nas eleições de 4 de outubro.
Seja como for, Brasil Mundel comenta que os baixos preços sugerem que as ações estão em níveis interessantes e podem proporcionar atraente rentabilidade no médio e longo prazos. Quem tem visão de longo prazo e aposta na reeleição de Fernando Henrique, principalmente, deve investir em ações. Ele afirma, ainda, que quem está abraçado em ações deve permanecer na Bolsa e, se puder, até comprar mais papéis, porque as cotações estão baixas.
O investidor que se preocupa com o curto prazo deve preferir as aplicações de renda fixa, em que as taxas de juros, apesar dos seguidos cortes e da tendência declinante, permanecem bastante interessantes. Pelas contas do diretor-presidente da Lloyds Asset Management, em cenário de vitória de Fernando Henrique, os juros nominais podem continuar recuando gradualmente até o nível de 19% a 18,5% ao ano e permanecer em queda em 1999, com a melhora nas contas públicas.
A melhor opção, nesse quadro de juro cadente, são os fundos de renda fixa, aponta, porque ficam mais rentáveis à medida que as taxas de juros recuam. Os fundos DI são indicados apenas em momentos de bruscas elevações dos juros, explica Brasil Mundel
O maior risco de instabilidade, no cenário externo, está numa desvalorização da moeda na China, que poderia levar a nova rodada de desvalorização de moedas dos países da região. A economia dos Estados Unidos está em processo de estabilização, mas um eventual ressurgimento da inflação poderia levar a uma elevação dos juros e a um recuo da Bolsa de Nova York, afetando os países da América Latina, especialmente o Brasil, com escassez de financiamento e dificuldades na privatização.





