Queda na comissão abala as agências de viagem
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A redução das comissões das agências de viagem está prejudicando a rentabilidade do setor. As comissões que as agências recebiam das empresas aéreas foram reduzidas em cerca de 33%, o que vem afetando as agências, principalmente aquelas administradas por famílias, disse ontem o presidente nacional da Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav), João Martins. As comissões foram reduzidas há cerca de dois meses e o presidente da Abav prevê disputas judiciais entre agências e companhias aéreas.
Segundo Martins, as agências de viagem, que no ano passado faturaram R$ 3,2 bilhões, esperam aumentar o faturamento em 14% ou 15% este ano. ''Mas é preciso trabalhar bem mais para atingir a mesma rentabilidade anterior'', lamentou. As comissões que antes variavam entre 9% e 10% foram reduzidas para 6% ou 7%. ''Ocorre que os custos das agências como carga tributária, salários, tarifas, entre outros subiram'', ponderou.
Martins, que está participando do 11º Salão Profissional de Turismo da Abav-PR em Curitiba, manifestou pessimismo em reverter essa situação à favor das agências. Ele atribuiu a deterioração das relações entre agências de viagem e companhias aéreas à Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), que vem agindo conforme a cultura dos países onde se concentra maior número de aeronaves.
Ele ressalvou que não está havendo divergências entre as agências de viagem nacionais e a Varig, à quem eles atribuem bom relacionamento. Aliás, o presidente da Abav aproveitou o encontro, que reuniu cerca de 7.000 participantes entre agentes de viagem e representantes do turismo dos três estados do Sul e do Mercosul, para fazer a defesa da empresa aérea nacional.
Segundo o empresário, não se pode oferecer uma empresa nacional do porte da Varig para o capital externo, sob risco de prejudicar os serviços aéreos no País. ''Somente a Varig faz 70% dos vôos internacionais para cerca de 27 países'', justificou.
O presidente da Abav esclareceu que não está pedindo um calote ou um perdão das dívidas para a Varig. Mas uma renegociação dos débitos a longo prazo, já que seus principais credores são órgãos do governo federal como Banco do Brasil, Infraero e Petrobras. Em defesa da empresa, Martins disse que ela não vem sendo mal administrada como ocorreu com Transbrasil e Vasp, atualmente fechadas. ''Uma empresa que sai de um prejuízo de R$ 1,5 bilhão no ano passado com a expectativa de redução do déficit para R$ 85 milhões, este ano, não se pode dizer que é inviável'', afirmou.
Paralelamente ao 11º Salão de Turismo, funcionou também o 2º Salão Regional de Negócios em Turismo para o Mercosul. A expectativa é que daqui há 12 meses, esses eventos resultem negócios da ordem de R$ 180 milhões para as agências que atuam na região Sul do País.


