São Paulo - A deflação mundial de mais de 40% nos preços das commodities já provoca uma freada nos planos de produção e investimentos das gigantes brasileiras ligadas a essas matérias-primas e ameaça reduzir em até dois terços o saldo da balança comercial de 2009. A Samarco, que produz minério de ferro, acaba de anunciar que vai paralisar durante o mês de dezembro a produção de duas das três fábricas. ‘‘A interrupção se deve à desaceleração da economia mundial’’, afirma o diretor de Operações, Ricardo Vescovi. Com a totalidade das vendas voltada para exportação, a empresa decidiu cortar a produção porque os clientes adiaram pedidos. Para 2009, a companhia prevê queda de 15% nas vendas externas.
  A freada nas exportações que ocorre hoje com a mineradora e também com outras produtoras de commodities será responsável pela retração no saldo comercial em 2009. A RC Consultores projeta superávit de US$ 8 bilhões para 2009, ante US$ 25 bilhões para este ano. A Tendências prevê um saldo de US$ 11 bilhões em 2009 e de US$ 24 bilhões em 2008.
  A proporção do estouro da bolha de preços das commodities, primeiro em razão da saída dos fundos de investimentos e agora motivada pela desaceleração mundial, assusta. Entre julho e a primeira quinzena deste mês, os preços médios das commodities caíram 42% em dólar, segundo o índice CRB Reuters/Jefferies. A soja caiu 40%; o zinco, 39% e o alumínio, 37%.
  As commodities respondem por 65% das exportações brasileiras. ‘‘Nos últimos anos, foi essa receita que pagou as contas externas do País e acumulou dólares para que as reservas atingissem US$ 200 bilhões’’, observa o sócio-diretor da Tendências, Nathan Blanche.
  Além da queda no saldo comercial, o estrago das commodities deve fazer o País repetir em 2009 o déficit no saldo de transações correntes de 2% do PIB, prevê o sócio-diretor da RC Consultores, Fabio Silveira. Ele projeta menor crescimento do PIB, na casa de 2%, e queda das reservas em US$ 25 bilhões para fechar as contas, já que virá menos dinheiro de fora. ‘‘A inflação, provocada pela alta do câmbio, será um problema menor perto do que a queda da receita das commodities irá causar nas contas externas.’’

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