A nota de crédito de risco (rating) dos Estados Unidos pode cair mais nos próximos dois anos, caso o governo norte-americano não cumpra com os cortes de gastos prometidos na lei sancionada pelo presidente Barack Obama na semana passada, informou ontem a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P). No primeiro dia de negócios após o rebaixamento da nota americana, todos os mercados do mundo repercutiram negativamente.
Na última sexta, a agência rebaixou o rating dos EUA de AAA para AA+, com perspectiva negativa, o que abre chance para novo rebaixamento em até 24 meses. Entre os motivos estão a elevação do teto da dívida dos EUA, de US$ 14,3 trilhões, e redução do deficit no país.
Pânico nas bolsas
Em São Paulo, a Bovespa caiu 8,08%, chegando a bater em -9,75% no meio da tarde. Foi a maior queda desde 22 de outubro de 2008. Na Argentina, a Bolsa de Buenos Aires desabou 10,73%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 5,55% e o Nasdaq fechou em queda de 6,90%. Na Europa, Frankfurt despencou 5,02%, o maior recuo do continente. O índice CAC40, da bolsa de Paris, caiu 4,68%, e o Financial Times, em Londres, teve perda de 3,39%. Em Madri, o índice Ibex35 teve queda de 2,44%. A bolsa de Milão cedeu 2,35%. Na Ásia, as bolsas também registraram quedas expressivas: Taipé (Taiwan) e Seul (Coreia do Sul) retraíram 3,82%.
Obama
Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que o rebaixamento do rating do país pela S&P deve trazer um ''novo senso de urgência'' sobre a necessidade de resolver os problemas orçamentários do país. ''O fato é que não precisamos de uma agência de rating dizendo ser necessária uma abordagem equilibrada e de longo prazo para a redução do deficit: isso era verdade na semana passada, era verdade no ano passado e era verdade no dia em que assumi o governo'', disse Obama. (Com agências)

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