Rio de Janeiro – O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Melo Cota, disse à Agência Estado que o ano ‘‘vai acabar com juros de 18% para cima’’, referindo-se à taxa de juros básicos, a Selic, fixada pelo Banco Central atualmente em 18,5%. Cota explicou que os aumentos da gasolina, como o de 10,8% nas refinarias anunciado ontem pela Petrobras, tornam difícil a redução dos juros neste momento. ‘‘E, se o juro não baixar agora, não desce mais’’, afirmou.
O economista lembra que ‘‘no meio do ano começam a entrar reajustes de tarifas, começam a entrar outros fatores que dificultam ainda mais a queda dos juros’’. Cota reviu suas projeções de inflação. Até agora, vinha prevendo inflação entre 4,5% e 5% nos Índices Gerais de Preço (IGPs) e nos Índices de Preço ao Consumidor (IPCs) calculados pela FGV. A previsão de Cota para o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de abril também mudou. Era de 0,25% e subiu para entre 0,35% e 0,40%. ‘‘Os aumentos de gasolina têm sido repassados integralmente no varejo. Por isso, acho que esse também vai ser’’, disse Cota.
Junto com o aumento anterior da gasolina, de 9,39% nas refinarias, o impacto total nos IGPs será de 0,45 ponto porcentual. O impacto nos IPCs dos dois aumentos em conjunto é de 0,65 ponto porcentual, segundo Cota. O IPC-DI, que tem coleta de preços do início ao fim de cada mês - como o índice oficial das metas de inflação, o IPCA -, deve ficar em abril em 0,75%, segundo Cota.

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