Queda dos juros reanima empresários
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quarta-feira, 26 de outubro de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - A expectativa das indústrias parou de se deteriorar em outubro, depois de três trimestres seguidos em queda. O movimento coincide com o início da trajetória de queda dos juros. Ainda assim, o nível de confiança é o menor desde julho de 2003 e está abaixo de outubro de 2004. A estimativa para a demanda externa nos próximos três meses foi a mais baixa desde janeiro de 1999, o que piorou as previsões para o último trimestre.
Os dados constam da 157 Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo o economista da FGV Aloísio Campelo, ''a confiança dos empresários acompanha o comportamento dos juros''. Um indicador composto por seis questões principais da pesquisa mostra que o nível das expectativas este mês foi de 50,4 pontos, estável se comparado a julho (50,8), segundo a fundação, mas inferior aos 60,8 em julho e em outubro de 2004.
Para os técnicos da FGV, as avaliações foram piorando ''à medida que a política monetária se tornava mais austera''. Campelo alerta que a apuração captou apenas os efeitos do primeiro corte da taxa Selic, de 0,25 ponto, em setembro. A maior parte dos questionários já havia sido respondida antes da redução de 0,5 ponto, no último dia 19. Ele acredita que os resultados da próxima sondagem, em janeiro, poderão ser melhores.
Em outubro, ainda, os juros caíram para a última colocação dentre os sete quesitos que poderiam estar dificultando a produção este ano, ao lado do capital de giro. Em julho, a taxa de juros era considerada o terceiro fator limitador de investimentos. A sondagem também revelou que o nível da capacidade instalada está por oito trimestres acima da média histórica, o que havia acontecido pela última vez durante o Plano Real, entre 1996 e 1998.
As avaliações das indústrias sobre o momento presente foram ''ligeiramente melhores'' do que na pesquisa de julho. De forma geral, os dados mostram que o ritmo industrial está mais enfraquecido, mas o setor conseguiu se ajustar. Exemplo disso foi a redução dos estoques excessivos. A FGV estima que no terceiro trimestre haverá queda de 1% na produção física sobre o segundo trimestre. O crescimento em 2005 ficará entre 3,5% e 4%, ante os 8,9% de 2004.
As avaliações das indústrias pioraram quanto à demanda nos próximos três meses. Comparada a julho, a fatia de empresas que esperava crescimento para o trimestre seguinte caiu de 47% para 39%, enquanto os que projetavam vendas mais fracas subiram de 16% para 24%. O maior recuo ocorreu nas expectativas quanto à demanda externa.


