Queda dos juros no Brasil foi lenta, diz FHC
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quinta-feira, 09 de abril de 2009
Nalu Fernandes<br> Agência Estado 
Nova York - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a redução dos juros no Brasil ''foi lenta'', em meio à crise internacional. FHC ressalvou, no entanto, que o processo de condução da política monetária é complexo. ''É fácil dizer isso ex-post. Na hora, sei que é difícil tomar decisões'', afirmou, em entrevista em Nova York, onde participa, juntamente com o governador José Serra, de palestra em tributo à vida acadêmica da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
O ex-presidente acrescentou que, além das ''variáveis'' econômicas que precisam ser levadas em conta para a administração da política monetária, também existe ''um limite para baixar a taxa de juros''. ''O que financia a dívida interna do governo brasileiro são os bancos brasileiros com o depósito de brasileiros'', observou.
Para o ex-presidente, ''os efeitos das medidas anticrise, por enquanto não estão tendo eficiência nenhuma. O programa de habitação não existe na prática, só na propaganda'', afirmou, referindo-se ao Plano Nacional de Habitação, que prevê a construção de 1 milhão de moradias e foi batizado de ''Minha Casa, Minha Vida''.
Fernando Henrique não acredita que o impacto das medidas ''possa ser muito grande'' para que a parcela da população que emergiu para a classe média durante os últimos anos consiga evitar algum tipo de retrocesso. ''Os dados já estão mostrando que vai haver retrocesso. Esse pessoal atendido pelo Bolsa-Família não, pois o Bolsa-Família continua.'' Mas, adverte o ex-presidente, o problema maior relaciona-se a ''quem está ligado ao mercado de trabalho'', já que o desemprego vai crescer.
''O Brasil vai crescer muito pouco este ano, se é que vai crescer'', afirmou. ''Os últimos dados que vi do Fundo Monetário Internacional é de PIB em - 0,8%.'' Enquanto reconhece que o número citado pelo Fundo é apenas um prognóstico, FHC observou que ''ninguém sabe o que é que vai acontecer. Só se pode dizer que dificilmente vai haver crescimento significativo e o desemprego vai crescer''.


