São Paulo A forte redução nos preços internacionais do petróleo e a apreciação cambial doméstica podem reduzir a pressão por uma mudança na meta ajustada de inflação do Banco Central (BC) para 2003, de 8,5% pelo IPCA, mas analistas do mercado ainda não descartam essa alteração.
A meta definida pelo BC levou em conta uma projeção de alta de 14% para os preços administrados no ano. O último Relatório de Inflação e a mais recente ata do Copom, no entanto, trazem uma projeção de 16,8% para esse segmento de preços no mesmo período, o que, segundo o próprio BC, justificaria um ajuste na meta em 1 ponto porcentual.
Isso levou a um forte questionamento sobre a mudança para cima da meta, ao que o presidente do BC, Henrique Meirelles, tem respondido ainda ser prematuro alterar a projeção dos 14%. Ocorre que no último mês o cenário para os preços administrados, sobretudo combustíveis, vem melhorando bastante. O preço do barril de petróleo cru, por exemplo, era negociado há um mês na Nymex a US$ 38,08 o barril. Ontem, estava em US$ 28,09. Em apenas um mês, o dólar também caiu mais de 8%, o que terá impactos futuros tanto no preço dos combustíveis quanto nas tarifas públicas indexadas ao IGP-M, índice de grande sensibilidade ao câmbio.
Isso deixa o BC confortável com a meta dos 8,5%? A resposta da maior parte dos analistas é negativa. Por três motivos: 1) não há definição se essa queda no preço do petróleo implicará redução do custo dos combustíveis ao consumidor final - há indicações da ministra Dilma Rousseff no sentido de que pode haver aumento na Cide para compensar essa queda do petróleo; 2) a taxa de câmbio abaixo dos R$ 3,20 ainda é bastante volátil, o que impede o BC de utilizar esse dado como se o número já fosse dado; e 3) ainda há grande indefinição sobre os ajustes de energia elétrica e telecomunicações, sobretudo o primeiro grupo. E a redução do câmbio atual terá um impacto reduzido no acumulado de 12 meses que servem como base para os reajustes.
''São fatores que não nos permite repassar integralmente essas melhoras às projeções para os preços administrados'', explica o economista sênior do BBV, Luis Afonso Lima. Embora acreditem que a meta do Banco Central será em algum momento ''ajustada'', os analistas concordam que ainda é prematuro fazê-lo neste momento. ''Há duas variáveis fundamentais nesse sentido: o preço do petróleo no pós-Guerra e a definição interna das tarifas de energia elétrica, além das tarifas das teles um pouco mais à frente'', sublinha o economista chefe do Citibank, Carlos Kawall. ''Faria sentido o Banco Central esperar para ter uma melhor certeza sobre esses números.''
Guardando alguma cautela sobre a mudança na meta, o economista chefe do ABN Amro, Mário Mesquita, também reforça que é preciso esperar o final da guerra e como será neste cenário o comportamento dos preços do petróleo, com destaque para a reunião da Opep no próximo dia 24.

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