Queda do milho assusta governo
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Vânia Casado Curitiba 
O governo federal se assustou com a previsão de queda drástica na produção de milho na safra 97/98. Só no Paraná, primeiro estado produtor, a previsão é de redução de 16% na média do Estado. Mas na região Oeste do Estado, onde se concentram os produtores tecnificados, com alta produtividade, a redução pode superar 60% e a redução média do Estado pode ser maior ainda, segundo as cooperativas da região. A previsão inicial é colher menos 1,3 milhão de toneladas o equivalente ao consumo da indústria no Estado. A venda de sementes está muito fraca e os produtores não querem plantar milho em função dos preços desestimuladores do grão, que estiveram abaixo do preço mínimo neste ano.
Para alertar o mercado sobre a gravidade da situação, a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura promoveu uma reunião na semana passada em São Paulo, onde estiveram presentes os representantes da indústria, principais consumidoras de milho. O objetivo da reunião foi alertar as indústrias do risco que elas estão correndo, se deixarem somente o governo entrar no mercado comprando o grão para formar os estoques reguladores. A consequência pode ser drástica, alertou Vilmondes Olegário, diretor de abastecimento da SPA. Isso porque o governo tem uma legislação muito rígida para liberação dos estoques reguladores e as indústrias podem ficar sem matéria-prima no próximo ano, diante da resistência do produtor em não querer plantar milho esse ano.
A previsão da Secretaria de Política Agrícola é que até Outubro o governo tenha cerca de 8 milhões de toneladas de milho em estoques e segundo Olegário
seria interessante que a indústria comprasse um pouco desses estoques para não ter problemas para frente. Ele explicou que a legislação obriga a colocação de estoques mais antigos no mercado e em regiões distantes das zonas produtoras. Portanto Olegário considera temeroso que as indústrias que estão no Paraná, localizadas praticamente na porta das granjas não comprarem praticamente nada da safra desse ano que foi volumosa. É evidente que o produtor não está estimulado, concordou Olegário que salientou que se os produtores tivessem a perspectiva de ganhar bem, essa redução não seria tão drástica.
Para Olegário não é interessante para nenhum setor a redução da área de milho, nem para a indústria, nem para o governo, nem para os produtores. Ele não sabe se as indústrias entenderam o recado dado e se poderão reverter os preços pagos ao produtor ainda esse ano, a ponto de estimular o plantio de milho.


