Queda do juro surpreendeu o mercado
Agência Folha
De São Paulo
A taxa de juros de 19,5% ao ano, fixada anteontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária), causou surpresa e um certo temor no mercado ontem. O Copom reduziu em 1,5 ponto percentual a Selic. A expectativa era cair 0,5 ponto percentual. Houve também uma mudança na tendência dos juros, passando-a de baixa (a taxa poderia ser reduzida quando o BC quisesse) para neutra (nova mexida só pode ocorrer na próxima reunião do Copom, em setembro). Psicologicamente, seria melhor uma redução menos agressiva, mas mantendo o viés de baixa. O mercado está enfrentando muita incerteza externa, e o clima interno também não está bom, disse Carlos Aírton Biasetto, diretor do Hexabanco.
O clima externo seria a situação da Argentina (que deve ficar instável até a eleição presidencial de outubro) e a possibilidade de aumento dos juros nos EUA. No curto prazo, a taxa pode funcionar. Mas a longo prazo continua uma incógnita. O mercado já começou a trabalhar com a possibilidade de ser necessário subir os juros no futuro , disse José Cândido de Melo, do Banco Tendência.
Segundo cálculos do vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, o impacto no crédito será pequeno. Ele diz que os juros ao consumidor podem ter um recuo de 0,51%, na média.





