A redução que o Banco Central (BC) vem fazendo na taxa do overnight desde o dia 12, de 0,50 ponto porcentual ao dia, não será repassada imediatamente para o consumidor. Segundo José Antônio Pena Garcia, economista do BankBoston, o juro do crédito cairá num ritmo mais lento. Garcia explica que as instituições financeiras estão cautelosas para definir uma queda dos juros.
‘‘Os bancos trabalham da mesma maneira que um investidor: avaliam o risco, o retorno e a oscilação do mercado, e a partir daí definem a taxa para os clientes.’’ Ele afirma, ainda, que os principais riscos para o setor continuam sendo a inadimplência e o desemprego.
O diretor de Finanças do Banco Sudameris, Rafael Cardoso, também afirma que a diminuição gradativa do custo primário do dinheiro não significa um corte imediato nos encargos. Para o vice-presidente de Controladoria e Finanças da Nossa Caixa Nosso Banco, Joaquim Elói Cirne de Toledo, para que houvesse uma redução significativa nos juros, seria necessária a combinação de aumento da concorrência com a queda da inadimplência.
Um exemplo de que o mercado ainda não reagiu à queda dos juros do BC são as taxas verificadas no crediário de algumas lojas da capital. A Arapuã está cobrando juros entre 4% e 8% ao mês. No Ponto Frio, os juros estão variando entre 6,01% e 8,86% ao mês.
No cheque especial, as taxas também não apresentaram nenhuma redução. O Itaú é o banco que está trabalhando com o menor juro, 4,75% ao mês. Mas, dependendo da intensidade do relacionamento entre o cliente e o banco, essa taxa pode chegar a 11,50% ao mês. Já o Citibank foi o banco que apresentou a maior taxa, de 14,90% ao mês.

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