Queda do juro mostra que crise é localizada
Queda do juro mostra
que crise é localizada
Cláudia Lopes
Josoé de CarvalhoProjeção otimistaMailson da Nóbrega, em Londrina: Teremos um Natal melhorO ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega disse ontem em Londrina ter ficado surpreso com a porcentagem de queda nas taxas anunciadas pelo governo a exemplo de todo o mercado de analistas do País. Eu acreditava que a taxa ficaria entre 22% e 22,5%, afirmou. A TBC (Taxa Básica do BC) foi reduzida de 23,25% para 21,75% anuais e a Tban (Taxa de Assistência do BC) baixou de 32,25% para 29,75% ao ano.
Nóbrega fez palestra sobre as perspectivas da economia brasileira na abertura do 9º Encontro da Habitação e do Mercado Imobiliário Paranaense, no Hotel Sumatra. A queda reflete a percepção do governo de que a crise asiática é um problema localizado, com ramificações de menor importância sobre a economia mundial, disse. O que nos ameaçava no início da crise era a hipótese de um ataque especulativo contra a moeda ou a fuga de moedas estrangeiras do País. Se acontecesse isso, seríamos obrigados a recorrer a flutuação do câmbio, com ameaça ao Real.
Para Nóbrega, a economia brasileira crescerá entre 3% a 4% no segundo semestre deste ano. Teremos um Natal melhor do que o anterior, prevê. Defensor do Plano Real, o ex-ministro acredita que governo tomou a decisão certa ao aumentar os juros no ano passado, promovendo a desaceleração em detrimento do crescimento do desemprego.
O desemprego é um problema que não será revertido a curto prazo, na opinião do ex-ministro. Pode inclusive aumentar até o próximo mês por causa dos altos índices de inadimplência e, ao fato de, com medo de perder o emprego, o trabalhador não gasta no comércio. Para resolver a questão, Nóbrega sugere a aprovação das reformas - principalmente a tributária e trabalhista - e a melhoria da qualificação da mão-de-obra.
Promovido pelo Secovi-Pr, o 9º Encontro da Habitação termina hoje com palestras do jornalista da área econômica Luiz Nassif; do presidente do Secovi/SP, Ricardo Yazbek; do secretário da Habitação de São Paulo, Lair Krahenbhul e do ex-ministro Ciro Gomes, entre outros.





