Queda do juro depende de redução do déficit
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
O governo não vai baixar os juros enquanto não tiver maior segurança sobre a capacidade de reduzir o déficit público neste ano e em 1998. É o que indicam a atuação do Banco Central e as declarações do diretor de Política Monetária do BC, Francisco Lopes. Quando perguntado se o limite para queda dos juros já foi alcançado, Lopes diz que não costuma discutir o assunto em público, mas comenta, sorrindo: Mais resultados na política fiscal facilitariam a política monetária.
O que mais preocupa a equipe econômica, segundo Lopes, são as contas dos Estados, que podem sair do controle com as eleições, em 1988. O ano eleitoral é preocupante, pois a capacidade de controle do governo federal sobre os Estados é muito limitada, diz ele. O governo controla gastos limitando os financiamentos aos governos estaduais, mas os estados têm conseguido aumentar dívidas lançando títulos de estatais no exterior. O Congresso até fixou critérios corretos para controlar a capacidade de endividamento, mas não cumpre esses critérios quando analisa os pedidos de endividamento dos Estados, critica Lopes.
O diretor do BC acredita, porém, que será possível cumprir as metas do governo, de evitar o crescimento da dívida líquida do setor público (a dívida pública descontados os créditos do governo), com medidas para obter um superávit no setor público equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 12 bilhões este ano. A dívida pública estabilizou, mas há pressões para que aumente até o fim do ano, comenta. É para compensar a tendência de aumento da dívida que o governo calcula ser necessário ter um superávit primário (receitas menos despesas, sem considerar os juros) de 1,5% do PIB.
Francisco Lopes mostra que, segundo estudo feito pelo Banco Central, a taxa média de juros paga pelo governo, somando todas as dívidas do setor público, é de 16,7% ao ano.


