Queda do dólar não deve se refletir no Natal
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sexta-feira, 26 de novembro de 2004
Marcia Furlan<br> Agência Estado 
São Paulo A recente redução das cotações do dólar não deve resultar em recuo de preços dos produtos natalinos, que são em grande parte importados. Isto porque as negociações dos produtos sazonais, assim como dos valores, são feitos tradicionalmente com meses de antecedência. Este ano, os importados serão oferecidos em maior quantidade e com preços mais baixos para alguns produtos por causa da redução da moeda em relação ao ano passado. A estimativa é de que a oferta seja 30% maior que em 2003, informou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Segundo o presidente da associação, João Carlos de Oliveira, os supermercados não estão sentindo os reflexos da oscilação da moeda nem mesmo nos produtos cujos preços são regidos pelas cotações externas, como o óleo de soja, farinha de trigo e açúcar. Oliveira afirmou que as relações do varejo com a indústria, mesmo com os fabricantes de produtos sem relação com a moeda norte-americana, passam por uma fase de calmaria, sem impasses por causa de preço ou de abastecimento. ''É o momento mais tranquilo dos últimos três anos'', disse.
Expectativa - Os empresários do setor acreditam que os consumidores terão um comportamento comedido nas compras de Natal. Uma pesquisa realizada pela Abras com 50 empresas supermercadistas, responsáveis por 40% das vendas totais, mostrou que a maioria deles (67%) acredita que as pessoas serão moderadas na hora de ir ao supermercado, enquanto 16% avaliam que elas serão conservadoras e outros 16% esperam um comportamento mais arrojado.
Eles informaram também que as vendas serão em média 10% maiores do que no ano passado, opinião de 84% dos entrevistados. Outros 16% esperam vendas pelo menos iguais às do ano passado. Nenhuma empresa acredita que o movimento será inferior a 2003.
A previsão da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) é que o setor deve registrar um aumento de vendas entre 10% e 15% neste Natal. Oliveira acredita que as vendas no período serão as melhores dos últimos três anos.
Na avaliação da Abras, o setor deve encerrar o ano com acréscimo de vendas de 3% em relação ao ano passado, quando faturamento mostrou retração de 4,5%. Oliveira afirmou que as vendas de novembro estão mantendo o ritmo registrado em outubro, quando cresceram 7,31% sobre setembro, e 6,64% sobre outubro do ano passado.
Para Oliveira, os bens duráveis (eletroeletrônicos) devem continuar com desempenho positivo, a exemplo do que ocorreu ao longo deste ano, apesar da elevação dos juros. Mesmo com o crescimento das taxas, no cálculo final, os números devem ser positivos por causa da base de comparação e pelo aquecimento tradicional das vendas neste período.


