Nova York - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao ser indagado se estaria surpreso com a queda rápida do dólar e o seu efeito sobre as contas externas do País, disse que é sempre melhor ter ''problemas positivos'' do que problemas negativos. Meirelles, que participou de um café da manhã, ontem, na sede da Merril Lynch, afirmou que ''muita gente está se surpreendendo com a melhora geral, não só com a questão do dólar''. Ele ressaltou que o importante é que o Brasil está conseguindo maiores condições de solidez e consistência e desfrutando, cada vez mais, da confiança dos investidores.
Questionado sobre uma possível eliminação dos ganhos da balança comercial com a queda do dólar, Meirelles lembrou que o Brasil tem um sistema de metas de inflação balanceado e que não se deve confundir com o que já existiu em vários países, inclusive no passado no Brasil, que tinham sistema de metas de câmbio. ''A economia como um todo tende a funcionar de maneira orgânica. Não devemos ficar muitíssimos preocupados com o curtíssimo prazo, só com a cotação do dia'', disse, lembrando que a estimativa do Banco Central continua sendo de um déficit em conta corrente pouco abaixo de 1% do PIB e de uma balança comercial positiva acima de U$ 15 bilhões neste ano. ''Isto é uma tendência e não vai mudar em função de uma taxa de câmbio que muda de uma semana para outra. Não estou dando aqui sinalizações futuras sobre as ações futuras do BC e nem sobre o que o BC acha da taxa de câmbio. O BC só acha uma coisa: a inflação está baixando e precisa baixar mais'', afirmou.
Perguntado sobre o que achava da euforia dos investidores dos últimos dias com o Brasil, o presidente do BC afirmou que o mercado está funcionando normalmente e que não há dúvida de que a confiança do investidor está aumentando gradualmente. ''Isso (movimento do dólar) é uma evolução natural do mercado. O mercado sobe e desce. O Brasil deve estar preparado para trabalhar em mercados melhores e piores. Não podemos ficar nos baseando no curtíssimo prazo'', afirmou. O importante, segundo o presidente do BC, é traçar uma direção de consistência e de solidez para melhora do risco e, a partir daí, lidar com o dia a dia.

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