O mercado físico de boi ‘‘derreteu’’ ontem em vários Estados, pressionado por um forte movimento de venda de pecuaristas que resolveram desovar seu rebanho depois de um longo período de oferta represada. Segundo Alcides Torres, da Scot Consultoria, o maior número de vendas foi registrado em Goiás, onde os grandes pecuaristas venderam o boi com o enfraquecimento do dólar e o sentimento de que os preços da arroba no físico poderiam cair ainda mais.
Em Goiás, o preço da arroba caiu perto de R$ 3, de R$ 30 para R$ 27. A média dos negócios ficou, contudo, em R$ 29. Com a queda dos preços em Goiás, muitos frigoríficos paulistas foram buscar boi naquele Estado, o que acabou pressionando os preços também no interior paulista. Em São Paulo, os preços caíram de R$ 33 para R$ 32 com alguns negócios reportados até a R$ 31 por arroba.
Muitos frigoríficos aproveitaram a maior oferta de boi e alongaram suas escalas. Segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, os frigoríficos mais agressivos alongaram suas escalas até a sexta-feira de Carnaval, dia 12. Outros, mais cautelosos, completaram suas escalas até segunda e terça-feiras da próxima semana na expectativa de que os preços da arroba podem recuar ainda mais. Na tarde de ontem, depois que os frigoríficos se abasteceram, o mercado estava registrando um movimento inverso do que o verificado nas últimas semanas, com os frigoríficos passando a recusar ofertas de pecuaristas.
Para Élio Micheloni, da Fortune Consultoria, os frigoríficos devem se retrair um pouco agora que conseguiram formar suas escalas e os pecuaristas deverão ter que abaixar o preço da arroba. Ele acredita que os pecuaristas devem reduzir a cotação da arroba até R$ 30. Neste patamar, Micheloni acredita que os pecuaristas começarão a segurar o boi. Ferraz, da FNP, acredita que os preços possam até voltar ao patamar de R$ 28 por arroba.
A grande dúvida do mercado agora é de que, se com a queda do preço da arroba do boi no físico, os preços do atacado e do varejo seguirão esta queda. Para José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, os preços do atacado deverão estar menores já neste final de semana com o varejo refletindo a queda apenas na próxima semana. Ontem, o traseiro/dianteiro estava sendo negociado a R$ 2,85/R$ 1,85 o quilo.
Alcides Torres, da Scot Consultoria, acredita que a volta das férias e uma dieta normal da maioria dos consumidores pode dar uma sustentação aos preços da carne no atacado e no varejo, fazendo com que os preços não recuem tanto como o preço do boi no físico. Porém, o sentimento geral é de que um preço da carne mais alto no varejo irá afastar o consumidor para outras carnes alternativas, fato que já está ocorrendo nas últimas semanas.

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