Queda do dólar aquece turismo e assusta produtores de soja
Pelos menos dois setores da economia já começam a sentir os primeiros efeitos da queda do dólar comercial. Enquanto o setor turístico festeja um aquecimento nas consultas a viagens para o exterior, que chegaram a cair 50% do volume normal para esta época do ano, o setor agrícola tenta acelerar o embarque de produtos para o exterior, especialmente da soja. Como a tendência é de queda, o objetivo é aproveitar o valor da moeda americana em patamares mais altos.
O presidente da Associação das Agências de Viagens (Abav/PR), Antônio Azevedo, garante que ainda é cedo para fazer comemorações, mas pelo menos as agências de turismo voltaram a atender consultas de pessoas interessadas em viajar ao exterior. Desde o dia 10 de março notamos um aumento nas consultas. Algumas pessoas voltaram a planejar viagens para o exterior, principalmente nas férias de julho, destacou Azevedo. Os meses de março e abril já são baixa estação para os agentes de viagem, mas no início deste mês a queda foi bem superior ao normal.
Em julho, que é alta temporada no Brasil e também no exterior, os preços de transporte aéreo e terrestre ficam maiores e um pacote de 15 dias para a Europa pode custar cerca de US$ 2,2 mil, cerca de R$ 3,9 mil por pessoa.
Já o setor agrícola comemora a safra recorde pelo quinto ano consecutivo de 7,4 milhões de toneladas de soja, sendo que 40% do produto já foi colhido e cerca de um terço está comercializado. A colheita da safra de soja atrasou um pouco este ano e quem conseguiu colher antes, levou vantagem ao exportar o produto, pois conseguiu preços melhores no mercado externo, enquanto o dólar andou na casa dos dois reais.
O técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, lembra que o preço do frete já subiu de 25% a 30% nos últimos dias pela pressa dos produtores em levar seu produto ao porto de Paranaguá e conseguir preços vantajosos para a exportação.
Normalmente as operações de venda de soja são concentradas nos meses de março e abril. Mas neste ano a concentração será bem maior nesses dois meses, para aproveitar a cotação mais alta do dólar, pois o setor agrícola aposta numa queda gradual do valor da moeda americana daqui para frente. No início do mês de abril, o porto de Paranaguá deve enviar ao exterior mais de 600 mil toneladas de soja. Mais da metade da safra deste ano vai deixar o país, movimentando 4 milhões de toneladas de soja pelo principal porto paranaense.[Arquivo FolhaVolta do clienteAgências de viagens registram maior procura pelos pacotes internacionais: benefício da queda do dólarMarco Antonio Assef
Especial para a Folha





