Queda do desemprego poderá reforçar campanha salarial
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quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Jander Ramon<br> Agência Estado 
São Paulo - As duas maiores centrais sindicais do País, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, avaliaram que a queda do desemprego na Grande São Paulo, de 19,1% em junho para 18,5% em julho, serve como incentivo extra para a condução das negociações das campanhas salariais das categorias com data-base no segundo semestre.
Para o presidente da Força, João Carlos Gonçalves, o resultado do desemprego ''acena para a possibilidade de que muitos sindicatos consigam reajuste salarial com bons porcentuais de aumento real, além de redução da jornada de trabalho''.
O secretário-geral da CUT, João Felício, disse é preciso expandir o consumo do mercado doméstico para dar sustentação ao crescimento econômico e isso virá, segundo ele, com maiores reajustes de salários. ''A população ganha muito mal e só poderemos expandir o consumo se houver aumento de renda'', argumentou.
Felício acredita haver espaço para novas quedas do índice de desemprego até o fim do ano. ''Pela relação histórica dos indicadores, o segundo semestre sempre tem uma melhora do emprego, com o aquecimento da economia'', observou. ''Se tivemos um aquecimento em julho, podemos buscar um índice de desemprego abaixo de 18% no fim do ano'', afirmou.
Por outro lado, os sindicatos de metalúrgicos querem aumentar o valor pago pelas montadoras para os trabalhadores que fazem hora extra. A proposta defendida por três centrais sindicais foi apresentada para o Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea).
Pela proposta, o adicional de hora extra seria dobrado. Ou seja, em vez de 100% o adicional subiria para 200% por hora adicional trabalhada. Segundo os sindicatos, o objetivo da proposta é forçar as montadoras a contratar novos funcionários.
Números da Fundação Seade/Dieese mostram que a indústria foi o único setor da região metropolitana de São Paulo que não reduziu a proporção de pessoas que trabalharam mais de 44 horas semanais.


