A redução da área cultivada com algodão no Paraná já provocou o desemprego de pelo menos 215 mil pessoas envolvidas com a cultura desde o início dos anos 90. Segundo o técnico do Deral, Maurício Tadeu Lunardon, a cotonicultura emprega em média um trabalhador a cada três hectares. Na safra 91/92, o Paraná cultivou 705 mil ha - área recorde da cultura no Estado -, com uma produção de 972.804 toneladas de algodão em caroço. Naquela safra, a contonicultura ocupou 235 mil pessoas.
Na próxima safra, segundo Lunardon, o algodão irá ocupar uma área de 59,9 mil ha, o que significa uma redução de 48% em relação à safra anterior (115,2 mil ha). Considerando o número de empregos por hectares, só nesta safra, serão extintos 18,4 mil vagas nas lavouras de algodão.
O gerente da algodoeira Algoeste, de Umuarama, Hitler Pullig, observa que o problema do desemprego provocado pela diminuição da área ocupada pelo algodão vai além das lavouras. Segundo ele, de 1991 para cá, só na região de Umuarama, foram extintos mais de 400 empregos no setor de beneficiamento da fibra.
Segundo o Deral, no início da década, 135 usinas beneficiadoras operavam no Estado, atualmente estão em funcionamento 58 unidades. Pullig observa que estas usinas trabalham com 60% de ociosidade. ‘‘No ano passado a usina funcionava 24 horas durante cinco meses, agora só trabalhamos 21 horas e em um período de três meses’’, comenta.
Mão-de-obra ‘‘Não vejo nenhuma possibilidade de aumento de área plantada com algodão no Paranᒒ, afirma Pullig. Além dos fatores mercadológicos, como as facilidades para importar, a cultura hoje não conta mais como mão-de-obra para a colheita. Pullig diz que a redução da área plantada obrigou muita gente a deixar o campo, o que acabou encarecendo a mão-de-obra que restou. ‘‘A colheita mecânica é inviável, a topografia irregular e o clima, com orvalho no período da manhã impedem o bom desempenho das máquinas’’.
Para o coordenador Técnico e Econômico da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Paraná (Fetaep), Sérgio Aguilar Gutierrez, a cotonicultura só terá fôlego para renascer no Estado com uma política de médio prazo, que garanta acesso à crédito e tecnologia adequada. O técnico da Fetaep observa que o setor também precisaria de uma política de Preço Mínimo plurianual e garantia de compra.
Gutierrez observa que, caso a cultura ‘‘saia definitivamente’’ do Paraná, o governo precisa adotar medidas que promova novos empregos. ‘‘A fruticultura é uma absorvedora de mão-de-obra’’, comenta.

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